19.11.08

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“1948: o meu pai foi às Finanças fazer um requerimento, e como de costume fez questão de que eu o acompanhasse. Para “aprender a vida”.
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Em casa explicou-me minuciosamente a fórmula e o motivo do requerimento. No fim, meteu dentro da folha uma nota de 50 escudos, e disse-me: – Esta é a parte mágica da fórmula. Quando tiveres um pedido a fazer, já sabes, o segredo é este.
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Passados uns meses enviei a minha primeira declaração de amor e, como 50 escudos era muito para as minhas posses, juntei uma moedinha de 2$50.
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Nunca tive resposta, decerto foi por ser tão pouco.”
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[Alberto Pimenta, in Repetição do Caos, & etc, 1997]

18.11.08

Requiem para D. Quixote: a apresentação


As primeiras 29 páginas do livro podem ser lidas aqui.

14.11.08

A Naifa "Filha de Duas Mães"

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[in Uma Inocente Inclinação para o Mal, 2008]
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filha de duas mães
adoro vesti-las de igual
tenho andado à tua procura
para te amar
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sobre a mesa posta
sem nenhuma vaidade
ensinar-te-ei meu amor
a praticar a caridade
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nunca direi saudade
ligo pouco ao que se diz
mas não levo muito a mal
a ideia de ser feliz
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_m.r.t.

13.11.08

Os dois melhores livros da literatura portuguesa do século XX

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Os Livros Ardem Mal anda a perguntar a uma série de escritores, críticos e jornalistas quais os melhores e os mais importantes livros da literatura portuguesa do século XX. Responderam até agora Frederico Lourenço, Luís Mourão, Nuno Júdice, Rui Lage, A. M. Pires Cabral, Helena Buescu e Fernando Guerreiro.
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O Henrique Fialho fez aqui o apanhado das respostas.

12.11.08

Cotovia por Luís Quintais

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Para comemorar os seus 20 anos, a Cotovia preparou o livro Não será por acaso, 20 anos, reunindo textos de alguns dos seus autores e colaboradores. Um dos textos é de Luís Quintais, que o deixou n'Os Livros Ardem Mal. Fica também aqui:
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"Mapa de afectos. Idos anos noventa. Princípios, certamente. A minha descoberta da Cotovia coincide com uma espécie de existência pessoana que atravessava então os meus dias e que constitui hoje uma das mais gratificantes memórias que tenho de Lisboa.
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Trabalhava na Rua do Loreto com os meus tios e primos numa pequena empresa de contabilidade e auditoria que já não existe. Os meus vinte e poucos anos eram uma demanda pelas ruas da cidade, entregando trabalhos concluídos, recebendo outros que teriam por destinatários os exímios mestres contabilistas, os meus tios Fernando e Gabriela, o meu primo João e o magnífico leitor de Proust que era o João Pedro Carreira. Uma existência pessoana ou walseriana, porque, de algum modo, o escritório da Rua do Loreto (que dava para o Bairro Alto numa iluminação tranquilizadora digna de Vermeer que fiz celebrar num dos meus poemas de A Imprecisa Melancolia) era uma espécie de Instituto Benjamenta, mas onde a crueldade tinha sido substituída integralmente pela ironia, uma arte cultivada com o rigor e a probidade com que se assentava numa linha de um livro de balanço. A rua, todas as ruas que na Rua do Loreto encontravam um centro irradiante, transportavam-me para formas de onirismo indisciplinado que nunca mais voltei a conhecer. Como se o meu Instituto Benjamenta (lugar de ofício, ironia, e extremo bom senso também) – o escritório do meu tio Fernando – tivesse um contraponto nessa encruzilhada de símbolos que habitavam a superfície do quotidiano. A minha vida era uma forma espacializada de «abandono vigiado», a usar um título de O’Neill que é, como se sabe, todo um programa. Um contraponto numa encruzilhada de símbolos e de lugares como, por exemplo, a belíssima Livros Cotovia na Rua Nova da Trindade, aí, numa das fronteiras invisíveis da cidade, aquela que coincide com as Escadinhas do Duque e que dá acesso ao Rossio – essa sempre eterna despedida da vida, como me recorda António Maria Lisboa – e à linha de fuga que é o Terminal ferroviário onde história, violência e margem vinham hibridizar o meu mapa de afectos.
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Como flâneur e leitor descobri a Cotovia naqueles primeiros anos da década de noventa. E o que lia eu naquela altura? Poesia, sobretudo. E através da poesia descobri uma revista magnífica que a Cotovia fazia publicar. Refiro-me à entretanto desaparecida (uma das memoráveis desaparições da minha vida de leitor) As escadas não têm degraus. Descobri também um dos escritores da minha vida, Edmund Jabès. Não me esqueço nunca de A obscura palavra do deserto, uma poesia que me parece longe, bem longe daquilo que motiva uma parte significativa dos poetas contemporâneos mais canonizados entre nós, e talvez ainda bem porque Jabès será sempre coisa de poucos, enigma de muitos, e o ruído e a sobredeterminação das glórias literárias sempre me aborreceu infinitamente. Depois vieram outros, tantos, que o catálogo da editora discretamente descreve, revela.
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A Cotovia é uma editora que permanece, pelo seu catálogo, pelo rigor com que trata os seus autores e os seus textos, fora daquilo que é o mundo editorial português, e não só. Dir-se-ia que, como o Jabès, permanece fora daquilo que convencionamos hoje por literatura ou por edição, e com isso ensina-nos como se pode sobreviver sem beneplácito nem usura. Um dos grandes méritos é nunca ter confundido livros com literatura. Outro dos méritos é ter enobrecido, pela sóbria singularidade do desenho do seus livros, a literatura, como provavelmente muito poucas editoras o fizeram. Como se não misturasse livros com literatura, mas soubesse perfeitamente onde está o lugar – an Italy of the mind, escreveria certeiramente Wallace Stevens – onde literatura e livros se encontram, se encontrarão sempre.
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Tudo isto pode ser atribuído, com inteira justiça e justificação, a André Fernandes Jorge. Aí está alguém que dispensa elogios ou encómios, mas de quem é um privilégio poder reconhecer entre os nossos amigos mais admirados, por mim, por todos aqueles que o conhecem e que com ele têm colaborado. Porque a amizade é ainda um dos poucos círculos iluminados de lealdade que conheço. Parabéns Cotovia, parabéns André!"

11.11.08

Um Dia por Lisboa: a Baixa e o Chiado

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Vai decorrer hoje mais "Um dia por Lisboa", no Teatro São Luiz, desta vez sobre a Baixa e o Chiado. Vai ter a presença de António Costa, Manuel Salgado, Elisio Sumavielle, Biencard Cruz e Luís Patrão, entre outros. Começa às 18h e a entrada é livre. Mais informações aqui.

10.11.08

Novo McShade

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Já está nas livrarias Requiem Para D. Quixote, segundo livro de Dennis McShade, de 1968 e há muito esgotado. A editora é a Assírio & Alvim.

8.11.08

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AMIGOS PENSADOS: BELARMINO
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Tiveste jeito, como qualquer de nós,
e foste campeão, como qualquer de nós.
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Que é a poesia mais que o boxe, não me dizes?
Também na poesia não se janta nada,
mas nem por isso somos infelizes.
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Campeões com jeito
é a nossa vocação, nosso trejeito.
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Esperam de 1 a 10 que a gente, oxalá, não se levante
- e a gente levanta-se, pois pudera, sempre.
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Mas do miudame levámos cada soco!
Achas que foi pouco?
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Belarmino:
quando ao tapete nos levar
a mofina,
tu ficarás sem murro,
eu ficarei sem rima,
pugilista e poeta, campeões com jeito
e amadores da má vida.
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[Alexandre O'Neill, in Feira Cabisbaixa, 1965]

7.11.08

Belarmino

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Belarmino, grande filme de Fernando Lopes, de 1964, vai passar hoje às 19h na Cinemateca. Absolutamente imperdível, embora esteja disponível em DVD a um preço acessível (pelo menos na Fnac). Mas em grande ecrã é outra coisa.

3.11.08

Entrevista com André Jorge nos 20 anos da Cotovia

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A Cotovia, uma das melhores editoras portuguesas, está a comemorar os seus 20 anos e está de parabéns. Na semana passada (29-10-2008) saiu no Público esta entrevista a André Jorge, feita por Alexandra Lucas Coelho:
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“SOU FEITO DO AVESSO”
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A Cotovia faz anos. É uma pequena editora. Publicou 700 livros. Com muitos perdeu dinheiro. Com uns pagou outros. Perde tempo com todos, de Homero a guias de vinhos. O homem por trás dos livros preferia não ser visto.
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Há 20 anos, dois irmãos juntaram-se para editar livros. Pouco tempo depois zangaram-se, até hoje, mas a editora continuou. Agora, ao longo de Novembro a Cotovia vai comemorar com livros novos, cursos, palestras e leituras. Num volume que reúne textos de autores e colaboradores, Luís Miguel Cintra lembra que o nome mãe não é Editora Cotovia, mas Livros Cotovia, e “não será por acaso”.
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A Cotovia é a casa da Odisseia ou da Ilíada, mas também de dezenas de poetas, ficcionistas, ensaístas e dramaturgos contemporâneos, portugueses e traduzidos.
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Quando começou, era um tempo em que as livrarias ficavam com 30 por cento do preço dos livros. Agora as cadeias ficam com mais de 40.
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Volta e meia, André Fernandes Jorge, 63 anos, paga para editar.
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Esta é a segunda-entrevista-e-meia que dá na vida, e quanto a fotografias, o que ele gostava era que só aparecesse a gata Maravilhas. Porque a Cotovia é uma casa lisboeta com gata, chá e, conta quem lá trabalhou, pão-de-ló.
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Como é que a Cotovia começou?
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Resultou de conversas entre mim e o meu irmão [o poeta João Miguel Fernandes Jorge, JMFJ].
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Queriam fazer a mesma coisa?
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Queríamos, mas sempre tivemos alguma conflitualidade, que resulta de sermos irmãos, e os únicos irmãos. Talvez sejamos demasiado parecidos para nos podermos dar bem por tempos prolongados. E estou já a dizer isto porque dois anos depois nos zangámos, e uma zanga que perdura. Hoje somos homens com mais de 60 anos, civilizadamente conversamos quando é preciso, mas só por razões especiais. Isso eu lamento, mas a partir de certa altura as coisas são irreversíveis.
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O que fazia antes da Cotovia?
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Nada em particular. Tinha vindo da Guiné, onde estive como cooperante para a cooperação holandesa, dois anos e tal. E voltei a colaborar, como antes, nos negócios do meu pai. Ele tinha uma farmácia, onde praticamente eu não tocava, e depois uma série de actividades na vila, o Bombarral, estabelecimentos e alguma agricultura – coisa que nos passou sempre ao lado [a André e a JMFJ]. O fundamental nessa primeira fase da Cotovia foi a revista As Escadas Não Têm Degraus. O resto foi um pouco a medo.
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Revista que era feita pelo seu irmão, por Joaquim Manuel Magalhães e por António M. Feijó. Mas a editora era sua e do seu irmão?
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Exactamente. O Joaquim fazia parte, como faz parte da família. As Escadas… foram sempre feitas pelo meu irmão e pelo Joaquim. O António colaborou, mas a coordenação foi deles. Sendo que obviamente eu estava de acordo com as escolhas [dos autores e textos]. Não foi por isso que nos zangámos. Também não vou dizer porque foi. Já nem eu sei.
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Quais eram os seus autores? O que é que lhe interessava mais, poesia, ficção?
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Poesia, sobretudo. Na juventude, como muitos outros, fui muito sectário. Houve uma fase em que achei que só os surrealistas eram bons. Houve um período em que teve influência a vivência política, mas na literatura não tanto. Nunca vivi bem com o neo-realismo português. Os poucos que achava bons era porque tinham lido Camilo.
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Mas não está a pôr o Carlos de Oliveira nos neo-realistas.
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Nunca pus. Os mais neo-realistas eram mais ou menos medíocres, e os outros partiam dali para coisas boas. Mas quem me pôs a ler prosa, porque eu sou um bocado preguiçoso, foi de facto o Camilo, que me acompanhou, numa série de volumes, quando fui fazer o serviço militar para Angola. Levei uma biblioteca só Camilo. Leio-o de trás para a frente, é um autor que me dá sempre gozo ler, e se estiver extremamente cansado, sob pressão, que era o caso, não conseguia ler outras coisas. E, logo a seguir, um autor que foi sempre maltratado em Portugal, e que eu adoro, o Georges Simenon, sempre mal editado, com péssimas traduções.
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É muito mais francófono?
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Completamente, tive sempre um problema com o inglês.
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A ideia de várias colecções na Cotovia existiu desde o princípio?
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Sempre. Ficção, ensaio, poesia traduzida. Nos primeiros anos não havia poetas portugueses porque o meu irmão e o Joaquim eram dois poetas, publicavam noutro lado, não queriam publicar aqui e não queriam fazer escolhas.
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O André queria?
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A partir de certa altura achei que se devia começar. Mas é muito difícil e arriscado. Aparecem propostas de coisas muito frágeis, de imitação. Vi aqui muitos originais influenciados, sobretudo pelo Eugénio de Andrade. Creio que há alguns que querem ser influenciados pelo Herberto, mas dá asneira, é mais difícil de imitar. O Eugénio é um autor de que gostei muito nos primeiros livros e depois deixei de gostar. Mas influenciou tanta gente, mesmo na prosa.
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Qual foi o primeiro livro da Cotovia?
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Não saiu um só, mas o primeiro terá sido uma tradução da Christiane Rochefort, que saiu com tantas gralhas que não saiu. Foram 2000 livros guilhotinados. Lembro-me de os ter recebido, ia partir de fim-de-semana, e sentei-me na mesa de cozinha a ver. A dada altura fui buscar uma caneta e comecei a marcar. Quando cheguei ao fim do livro tinha centenas de gralhas. Felizmente nunca mais aconteceu. Perdemos muito tempo com os livros antes deles saírem, estamos sempre atrasados.
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Quando se dá a separação? Em 1991?
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Tenho ideia que sim.
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Pensaram acabar com a editora?
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Esse era o ponto de vista do meu irmão, que é muito mais de rupturas, qualquer coisa é para apagar, para riscar. E do Joaquim. Ele não fazia parte da editora, mas era uma presença desejada. Para além de haver amizade, havia admiração e respeito pelo poeta e intelectual. O resto é a zanga. Foi aí que o Joaquim não quis que a revista continuasse, e que não saísse um livro dele [de poemas, que estava em provas]. Continuei sozinho. Eu tinha vontade. Também me tinha entregue completamente a este trabalho.
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Descobriu que era a sua coisa.
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Era, se calhar não podia voltar a trás, já tinham passado 40 anos. Tenho 63 hoje.
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Perdeu autores?
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Não.
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Os autores africanos foram coisa sua?
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Foram. Comecei por publicar um autor que já não publico, o Manuel Rui.
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Por motivos políticos [acusações de envolvimento no 27 de Maio de 1977 em Angola, quando retaliações do MPLA levaram a milhares de mortos]?
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Não! Nunca segregaria um autor por motivos políticos. Por motivos pessoais.
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Não tem a ver com o 27 de Maio?
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Não, absolutamente, e tenho dúvidas quanto a acusações que lhe são feitas. São questões pessoais. Aquela ideia do porreirismo lusófono acho que só prejudica.
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No livro comemorativo da Cotovia, Não Será Por Acaso, várias pessoas dizem que só publica o que gosta e lê tudo o que publica. É assim?
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Quase. Originalmente não leio em inglês nem em alemão. Leio através do francês, raras vezes através do castelhano. Mas portugueses, brasileiros sempre. No inglês tenho uma ajuda excepcional, porque a Cotovia tem outra editora, a Fernanda Barros. Algumas áreas que desconheço, como os autores da colecção Raposa, aquele romance tradicional inglês, a colecção Outono-Inverno [sobre a velhice] são escolhas da Fernanda. O que não decidimos aqui perguntamos a amigos.
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Recebe muitos originais?
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Sim, é uma depressão. São dezenas por mês. Há meses em que chegam diariamente.
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Sobretudo poesia?
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Já não. Mas talvez ainda seja maioritária. O resto é ficção. Na poesia continua a ser o adolescente. Na prosa, apareciam muito as recordações da guerra colonial, e donas de casa que, criados os filhos, escrevem as suas memórias. Hoje são predominantes os jovens em que se cria a ilusão de que têm um lugar na literatura, que nos cursos de literatura aprendem algumas técnicas.
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Publicou autores chegados pelo correio e que ninguém lhe tivesse recomendado?
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Sim. Mas muito raro. Um foi o José Pinto Carneiro [autor de O Estranho Caso da Boazona que Me Entrou Pelo Escritório Adentro], que depois não publicámos mais.
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Não correspondeu às suas expectativas.
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De maneira nenhuma. Esgotou rapidamente. A Teresa Veiga não veio pelo correio, mas veio pessoalmente e desapareceu. Não a conhecia de parte nenhuma.
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Mas é complicado dizer que não.
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É muito difícil e geralmente digo da pior maneira. Ando tanto tempo para dizer não que as pessoas têm uma justificação para estar zangadas, se era para dizer não podia ter dito logo. É por isso que eu digo que é uma depressão, fico mesmo angustiado com a carrada de originais.
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Já lhe aconteceu enganar-se? Recusar e perder um autor interessante?
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O caso a que não prestei devida atenção, por estar num período complicado da vida, foi o do José Eduardo Agualusa.
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O que teve dele que não publicou?
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A Estação das Chuvas.
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Quem gostava de editar?
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Alguém que certamente não me queria como editor, o Lobo Antunes, gosto bastante.
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Porque é que ele não havia de o querer?
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Não sei, ou nem eu o queria. Com aquele feitio dava asneira. Gosto muito da escrita dele, como gosto do Mário de Carvalho. Há um autor a que não dei a atenção devida, e de quem tive originais, é verdade.
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O Gonçalo M. Tavares?
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É verdade. Estiveram aqui O Livro da Dança, Um Homem Ou é Tonto Ou é Mulher e um terceiro. Eram registos completamente diferentes e eu estupidamente irritei-me com aquilo. Pareceu-me que havia presunção. E esta decisão foi influenciada. Houve uma pessoa por quem tenho estima que me fez chegar os originais, pessoa essa que tinha um cargo com relativo poder. Isso para mim é mortal. É que não consigo descolar.
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É muito avesso ao poder, não é?
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Sou feito do avesso.
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O braço-de-ferro que fez com a Bertrand… [em que para não cederem a margens altas de lucro para o livreiro, os Livros Cotovia deixaram de vender em todas as Bertrand].
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É uma teima.
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Uma editora como a Cotovia tem muito a perder em não estar numa cadeia com livrarias em cada capital de distrito.
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São 50 e tal.
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É preciso coragem. Como é que pode fazer isso?
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Não sei se é coragem ou teimosia. Custou-me caro, evidentemente.
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Isso significa o quê?
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Nos últimos tempos acabámos com a distribuição própria. E a razão principal é que não consigo dialogar com pessoas arrogantes e agressivas. Custa-me tanto pôr uma gravata como aturar um idiota que do alto da sua função tenta esmagar – “Este vem aqui porque precisa de vender, então vou impor as regras.”
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Isso é um retrato do mercado editorial hoje?
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Pelo menos daquele que mais me cega. Incomoda-me muito. E também o discurso da cultura dos agentes do livro. Acho péssimo invocar o nosso trabalho como cultural. Isso é usado sobretudo quando querem favores do Estado. Tanto somos agentes culturais como económicos.
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A poesia continua a vender como sempre vendeu?
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A poesia, algum teatro, são estáveis. 500/600 exemplares. Vendem-se durante anos, não esgotam
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Alguma vez reimprimiu um livro de poesia portuguesa?
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Não
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O mercado mudou muito em 20 anos. O caminho é este, editoras pequenas, que fazem o que gostam, para leitores estáveis?
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Esse caminho vai continuar. Há uma vulgarização da leitura e dos livros. Edita-se e vende-se mais, mas não estou a falar de literatura. Não concordo que estejam a fazer leitores. Estão a fazer aqueles leitores, ficam feitos, não têm nada a ver connosco. O que esperamos é que algumas livrarias possam sobreviver e especializar-se. Quando houver umas quantas com uma determinada orientação, como nós temos… Que uma Pó dos Livros [em Lisboa] sobreviva. Que Braga mantenha a Centésima Página, que Leiria tenha uma Arquivo…
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Tem funcionado bem a BI [colecção de bolso para a qual se juntaram a Cotovia, Assírio & Alvim e Relógio D’Água]?
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Razoavelmente. Foi muito bem recebida. Tivemos um stand na feira do livro de Lisboa – a pior feira de sempre – e correu bem. Com cerca de 40 livros editados, tudo com preços baixos, mesmo em vendas vendeu tanto como um stand normal das nossas editoras. Até ao fim deste mês teremos 60 livros.
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Isso é possível por serem amigos?
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Não. Não somos amigos. Sou amigo do Manuel [Rosa, editor da Assírio] há muitos anos, mas não é nada fácil. Todos temos feito um bom esforço. Somos individualistas. Eu e o Francisco [Vale] não tínhamos sequer relações. Cortei, desde o momento em que ele recebeu o meu irmão e o Joaquim como editor. Mas não ficaram reservas e o Francisco é de todos nós o mais lúcido, se calhar, o mais arguto. O Manuel tem a habitual dedicação, trabalhando como um louco, responsável por todas as capas e grafismo, e não dá a terceiros. Executa, mesmo que seja às três da manhã. Agora, não é por sermos amigos que nos juntámos. Percebemos que é preciso fazer alguma coisa para não perder de todo a visibilidade.
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Perde dinheiro com muitos livros?
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Sim, uns pagam os outros. À partida tenho a esperança de pagar os custos, mas nem sempre acontece.
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Como é que uma editora como a Cotovia consegue contornar isso?
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Trabalhamos muito por pouco dinheiro. Primeiro, pagamos mal aos colaboradores e recebemos mal. E tenho recorrido a dinheiro pessoal para suprir certas situações, desde sempre. Não é todos os anos, mas este ano foi um desses. Mas há anos que compensam. Não se pode é estar nesta actividade sem capital. É preciso de vez em quando insuflar.

31.10.08

Lisboa é das pessoas, mais contentores não!

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Porque se está a preparar para a zona ribeirinha de Lisboa, em Alcântara, a construção de 1,5 quilómetros de uma muralha de contentores com 12 a 15 metros de altura, está a decorrer esta petição, que conta já com mais de 9000 assinaturas.
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O principal dinamizador e primeiro subscritor da petição foi Miguel Sousa Tavares, no seguimento do artigo que escreveu para o Expresso.

30.10.08

Ainda se pode ser francófilo?

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É a pergunta a colocar na edição de hoje dos Livros em Desassossego, a propósito da recente atribuição do Nobel da literatura a um escritor francês.
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É às 21.30 na Casa Fernando Pessoa e contará com a presença de Eugénio Lisboa, Francisco Belard, José Mário Silva, Maria do Rosário Pedreira e Fernando Cabral Martins. A moderação é de Carlos Vaz Marques e a entrada é livre.

28.10.08

Saloiices

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"tenho dificuldade em expressar a dimensão da minha fúria face à saloiice e à idiotia da ideia de fazer da mais nobre artéria do centro de lisboa uma pista de corridas. mas esta ideia é mais do que saloia e idiota: diz o que pensa do centro da cidade quem a autorizou e promoveu. é gente que pensa que o que o centro precisa é desta 'animação': gente de fora na rua aos magotes para ver carros, barulho e farturas. uma espécie de playground de fim de semana para a malta dos arrabaldes"
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[Fernanda Câncio, no Jugular]
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Acrescente-se que isto nem se tratou de uma competição, mas uma mera acção publicitária por parte de uma marca de automóveis. Achei piada a um responsável da marca que, entrevistado para uma televisão, disse, orgulhoso, que dos vários sítios por onde este evento passou este era o melhor por ser o mais bonito e numa zona nobre e central da cidade. Não duvido, que cidade civilizada permitiria barbaridades destas nas suas zonas mais bonitas e centrais?

21.10.08

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"Seríamos incapazes de 'pôr no mercado' uma capa florida que se assemelhasse a um toalhete de bidé somente para atrair um público de hipermercearia."
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[Paulo da Costa Domingos, editor da Frenesi, em entrevista para a Periférica nº1, Primavera de 2002]

20.10.08

Trópico de Câncer

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Foi agora reeditado pela Presença o mítico Trópico de Câncer, primeiro livro de Henry Miller. A anterior edição portuguesa, da Livros do Brasil com tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, estava há muito esgotada (a última hipótese de o adquirir foi quando saiu há 4 ou 5 anos na colecção Mil Folhas, do Público).
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Trópico de Câncer, na minha opinião o melhor livro de Miller, é um retrato profundamente autobiográfico dos tempos loucos que o escritor norte-americano viveu na Paris dos anos 30. Acaba por ser uma espécie de precursor da beat-generation, quer pelas experiências e estilo de vida descritos, quer pela própria escrita do autor, numa torrente algo anárquica, que haveria de ser anos depois característica marcante de autores como Kerouac.
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Dado o conteúdo muitas vezes sexualmente explícito e uma apologia da libertinagem que atravessa todo o livro, este foi imediatamente proibido nos Estados Unidos quando foi publicado, em 1935, tendo sido retirada a proibição apenas nos anos 60.
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Esta edição tem uma nova tradução, de Jorge Freire, que não li, e uma capa que, não quero mentir, mas acho que é a mais feia que já vi na vida. Não sei o que se passa com a Presença, editora que nos últimos anos apresenta sistematicamente capas pavorosas. Esta ultrapassa tudo, Henry Miller não merecia isto.