- O Homem sem Qualidades, Robert Musil, Dom Quixote
- Fome, Knut Hamsun, Cavalo de Ferro
- Menina Else, Arthur Schnitzler, Cotovia
- O Diabo e Outros Contos, Lev Tolstói, Relógio D'Água
- A Educação Sentimental, Gustave Flaubert, Relógio D'Água
- O Primeiro Amor, Ivan Turgeniev, Relógio D'Água
- Trópico de Câncer, Henry Miller, Presença
- O Festim da Aranha, vários autores (escolhidos por Aníbal Fernandes), Assírio & Alvim
- A Faca Não Corta o Fogo, Herberto Helder, Assírio & Alvim
- Gatos Comunicantes, Mário Cesariny e Vieira da Silva, Assírio & Alvim
- O Crocodilo que Voa, Luiz Pacheco, Tinta da China
- Já Cá Não Está Quem Falou, Alexandre O'Neill, Assírio & Alvim
- A Vida de Horácio, José António Almeida, &etc
- Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português, Fernando Cabral Martins (org.), Caminho
- Lisboa – História Física e Moral, José Augusto-França, Livros Horizonte
31.12.08
Alguns livros de 2008
29.12.08
A aberração tornada regra
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"Exemplo triste e eloquente da aberração que se tornou regra: a capa da mais recente reedição de As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino (Teorema), tem letras prateadas e em relevo. Calvino é um dos grandes escritores do século XX e este livro é dos mais importantes da sua obra. Não é literatura de quiosque nem se destina às massas. Tentar traficá-lo desta maneira dissimulada é um péssimo serviço prestado pela editora. Mas esta é a regra em que vivemos no campo editorial: os livros são editados visando os «consumidores» que não os vão ler e pondo à distância os leitores que sabem o que querem ler. E como esta é a regra, as livrarias portuguesas tornaram-se um imenso bazar de capas coloridas, o que desafia qualquer capacidade de orientação: é tudo igual a tudo e até um livro de Carl Schmitt (imagine-se) vem disfarçado de subliteratura. A sobreprodução editorial, sem fim à vista, dá ao espectáculo um aspecto exasperado, onde se consuma sem pudor a lei da economia que tem sido transposta para outros campos: a má moeda expulsa a boa moeda."
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[António Guerreiro, Actual (suplemento do Expresso), 27/12/2008]
"Exemplo triste e eloquente da aberração que se tornou regra: a capa da mais recente reedição de As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino (Teorema), tem letras prateadas e em relevo. Calvino é um dos grandes escritores do século XX e este livro é dos mais importantes da sua obra. Não é literatura de quiosque nem se destina às massas. Tentar traficá-lo desta maneira dissimulada é um péssimo serviço prestado pela editora. Mas esta é a regra em que vivemos no campo editorial: os livros são editados visando os «consumidores» que não os vão ler e pondo à distância os leitores que sabem o que querem ler. E como esta é a regra, as livrarias portuguesas tornaram-se um imenso bazar de capas coloridas, o que desafia qualquer capacidade de orientação: é tudo igual a tudo e até um livro de Carl Schmitt (imagine-se) vem disfarçado de subliteratura. A sobreprodução editorial, sem fim à vista, dá ao espectáculo um aspecto exasperado, onde se consuma sem pudor a lei da economia que tem sido transposta para outros campos: a má moeda expulsa a boa moeda."
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[António Guerreiro, Actual (suplemento do Expresso), 27/12/2008]
24.12.08
23.12.08
Para um Natal O'Neilliano
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Foi recentemente lançado pela MHIJ Editores As Andorinhas não têm Restaurante, colecção de crónicas de Alexandre O'Neill, em versão áudio, com voz de Jorge Silva Melo, que pode ser adquirido em duplo CD ou em MP3. O resultado é excelente, com os textos a ganhar uma nova vida.
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Entretanto, podemos ler um natalício O'Neill no blog da Pó dos Livros, com os Exercícios de auto-apoucamento (com vista ao próximo Natal).
. Foi recentemente lançado pela MHIJ Editores As Andorinhas não têm Restaurante, colecção de crónicas de Alexandre O'Neill, em versão áudio, com voz de Jorge Silva Melo, que pode ser adquirido em duplo CD ou em MP3. O resultado é excelente, com os textos a ganhar uma nova vida.
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Entretanto, podemos ler um natalício O'Neill no blog da Pó dos Livros, com os Exercícios de auto-apoucamento (com vista ao próximo Natal).
22.12.08
O crepúsculo das tabernas
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Apagam-se com vagar na impiedade do tempo.
Ouço o seu clamor enfraquecido, um gemido impotente
a que em breve ninguém se poderá converter.
Eram os únicos lugares onde sabia estar.
Sem obviamente saber estar, visto a imperícia
me ser tão sanguínea – excepto quando por teimosia
roçava a mais feroz inconsciência e nada então
importava. Mas foi sempre mais frequente ter
de prémio uma excessiva consciência de tudo, da
inexorável tristeza de tudo, embora ali agraciada
com um encanto cáustico:
a possibilidade de reivindicar um inferno.
.
A pouco e pouco morrem as portas largas
de ruas estreitas que, à parte outros méritos, ensinavam
com mestria o abandono e a eternidade da sede.
Tive a má sorte de serem meus estes anos que de algum
modo testemunham a despedida dos últimos exílios,
desses redutos sombrios onde se podia renegar
a luz perversa do mundo.
.
Abuso mais uma e outra vez os pequenos templos
que perduram. Aproveito como posso a demora
da sentença, mas sei próximo o dia, a furibunda
manhã em que se apagarão de vez os fogos
em que mais apetecia ser lentamente devorado.
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[Manuel de Freitas, in Todos contentes e eu também, Campo das Letras, 2000]
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Apagam-se com vagar na impiedade do tempo.
Ouço o seu clamor enfraquecido, um gemido impotente
a que em breve ninguém se poderá converter.
Eram os únicos lugares onde sabia estar.
Sem obviamente saber estar, visto a imperícia
me ser tão sanguínea – excepto quando por teimosia
roçava a mais feroz inconsciência e nada então
importava. Mas foi sempre mais frequente ter
de prémio uma excessiva consciência de tudo, da
inexorável tristeza de tudo, embora ali agraciada
com um encanto cáustico:
a possibilidade de reivindicar um inferno.
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A pouco e pouco morrem as portas largas
de ruas estreitas que, à parte outros méritos, ensinavam
com mestria o abandono e a eternidade da sede.
Tive a má sorte de serem meus estes anos que de algum
modo testemunham a despedida dos últimos exílios,
desses redutos sombrios onde se podia renegar
a luz perversa do mundo.
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Abuso mais uma e outra vez os pequenos templos
que perduram. Aproveito como posso a demora
da sentença, mas sei próximo o dia, a furibunda
manhã em que se apagarão de vez os fogos
em que mais apetecia ser lentamente devorado.
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[Manuel de Freitas, in Todos contentes e eu também, Campo das Letras, 2000]
21.12.08
Poema sumário das tabernas de Lisboa
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Rua de São Marçal n.º 56, rua de Campo de
Ourique n.º 39, rua de São Bento n.º
432, rua da Cruz dos Poiais n.º 25ª. Calçada
do Combro n.º 38B, rua da Atalaia n.º 13,
rua de São Miguel n.º 20, rua da
Rosa n.º 123. Travessa do Conde de Soure n.º 7,
travessa dos Remolares n.º 21, rua do
Jardim do Tabaco n.º 3, rua da Regueira n.º 40,
rua das Escolas Gerais n.º 126, rua de Santa
Catarina n.º 28. Largo do Chafariz de Dentro n.º 23,
rua Sampaio Bruno n.º 25, travessa de São
José n.º 27, beco dos Toucinheiros n.º 12-A. Rua
Cidade de Rabat n.º 9, travessa do Alcaide
N.º 15-B, calçada de São Vicente n.º 12,
rua das Flores n.º 6, travessa da Espera n.º 54.
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Praça das Flores n.º 5.
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[Manuel de Freitas, in Todos contentes e eu também, Campo das Letras, 2000]
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Rua de São Marçal n.º 56, rua de Campo de
Ourique n.º 39, rua de São Bento n.º
432, rua da Cruz dos Poiais n.º 25ª. Calçada
do Combro n.º 38B, rua da Atalaia n.º 13,
rua de São Miguel n.º 20, rua da
Rosa n.º 123. Travessa do Conde de Soure n.º 7,
travessa dos Remolares n.º 21, rua do
Jardim do Tabaco n.º 3, rua da Regueira n.º 40,
rua das Escolas Gerais n.º 126, rua de Santa
Catarina n.º 28. Largo do Chafariz de Dentro n.º 23,
rua Sampaio Bruno n.º 25, travessa de São
José n.º 27, beco dos Toucinheiros n.º 12-A. Rua
Cidade de Rabat n.º 9, travessa do Alcaide
N.º 15-B, calçada de São Vicente n.º 12,
rua das Flores n.º 6, travessa da Espera n.º 54.
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Praça das Flores n.º 5.
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[Manuel de Freitas, in Todos contentes e eu também, Campo das Letras, 2000]
18.12.08
Lisboa a saque
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Depois de fecharem a Praça das Flores aos seus próprios moradores para apresentar um automóvel, depois de fecharem os Restauradores, Av. da Liberdade e Marquês de Pombal para fazer publicidade a automóveis, depois de forrarem eléctricos, comboios e autocarros, tapando até as suas janelas, depois de colocarem ecrãs de televisão nas estações de metro e dentro dos táxis, depois de colocarem outdoors por todo o lado, mupis no meio dos passeios, e paragens de autocarro com publicidade sonora em altos berros, depois de colocarem publicidade nos degraus das estações de metro e nas casas de banho, depois de colocarem telas gigantes a tapar os edifícios que esperam demolição, depois de embrulharem o cristo-rei e colocarem umas estranhas estruturas (a que chamam “maior árvore de natal da Europa”) em vários pontos da cidade, só faltava mesmo a ocupação selvagem, durante 2 meses, das principais praças de Lisboa.
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16.12.08
Nesta quadra tão especial, dois lindos livrinhos que ficam bem em qualquer sapatinho
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Crimes Exemplares, de Max Aub, com tradução de Jorge Lima Alves, em edição ilustrada, da Antígona.
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O Festim da Aranha, histórias em estado de crueldade encontradas e traduzidas por Aníbal Fernandes, da Assírio & Alvim.
11.12.08
Nova Buchholz
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É hoje inaugurada mais uma livraria em Lisboa. Trata-se de uma nova Buchholz, no Largo Rafael Bordalo Pinheiro, no Chiado, no local onde estava o antigo armazém da Sá da Costa.
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A Bucholz foi comprada recentemente pela Fundação Agostinho Fernandes (que adquiriu também as editoras Sá da Costa e Portugália e a livraria Sá da Costa), que aparentemente pretende manter também o antigo espaço na Duque de Palmela.
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Ainda não percebi se a ideia é recuperar a Buchholz e algumas das suas características mais marcantes ou simplesmente aproveitar a marca.
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A inauguração é às 19h.
É hoje inaugurada mais uma livraria em Lisboa. Trata-se de uma nova Buchholz, no Largo Rafael Bordalo Pinheiro, no Chiado, no local onde estava o antigo armazém da Sá da Costa.
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A Bucholz foi comprada recentemente pela Fundação Agostinho Fernandes (que adquiriu também as editoras Sá da Costa e Portugália e a livraria Sá da Costa), que aparentemente pretende manter também o antigo espaço na Duque de Palmela.
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Ainda não percebi se a ideia é recuperar a Buchholz e algumas das suas características mais marcantes ou simplesmente aproveitar a marca.
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A inauguração é às 19h.
9.12.08
Nada de Melancolia
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.Chega hoje às livrarias Nada de Melancolia, de Pedro Mexia, livro que reune crónicas que escreveu para a revista NS em 2006 e 2007. A edição é da Tinta-da-China.
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«Talvez não devesse ter regressado ao lugar onde fui feliz, ou assim me lembro dele, com as ruas baixinhas, quase de brinquedo, as multidões sempre pequenas, os vestígios da praia ainda no corpo ao fim do dia, entre um gelado e a caixa dos bonecos. Quando regressei, de passagem, a cidade estava irreconhecível, mais ampla e moderna, já não era minha, a Figueira da Foz já só existe na minha lembrança ou imaginação, se é que há diferença entre uma e outra. Reconhecia os sítios mas não reconhecia o espírito dos sítios, indestrinçável de quem eu fui, da infância como eu me lembro dela, plácida e segura e cheia de possibilidades. No meio dessa estranheza, entro na rua do Casino e vejo aquela ancestral montra dos bonecos, aquela caixa de madeira e metal, ainda na mesma entrada do mesmo salão de jogos, mas agora ela mesma uma diversão arcaica, museológica, tão distante como a infância ou os anos setenta. Ninguém lhe ligava nenhuma. Ninguém usava uma moeda que tivesse sobrado, suponho que euros agora em vez de escudos. Os bonecos estavam parados, não tocavam, nem dançavam, nem faziam a sua coreografia automática mas mágica. Meti a mão ao bolso e peguei numa moeda. Quis pôr a infância em acção, musical e cromada, ali à vista de todos e à minha, o circo ambulante e estático da minha infância por interpostos bonecos. Hesitei. Desisti. Virei costas e pensei: "Nada de melancolia."»
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[Pedro Mexia, in Nada de Melancolia]
5.12.08
Antologia do Humor Português
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Em 1969, Ernesto Sampaio e Virgílio Martinho publicavam na Afrodite, de Fernando Ribeiro de Mello, uma Antologia do Humor Português, reunindo em mais de 1000 páginas nomes que iam de Gil Vicente a Mário Cesariny, passando por Cavaleiro de Oliveira, Bocage, Camilo, Eça, Fialho, Gomes Leal, Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Manuel de Lima, Alexandre O’Neill ou António Maria Lisboa. Infelizmente, nunca foi reeditada, sendo por isso quase impossível encontrá-la (às vezes aparece em alfarrabistas).
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Trinta anos depois, assumindo-se como uma espécie de sucessores de Ernesto Sampaio e Virgílio Martinho, Nuno Artur Silva e Inês Fonseca Santos editam, na Texto, uma nova Antologia do Humor Português, reunindo textos de 1969 para cá.
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A escolha dos autores é bastante abrangente e, talvez por isso mesmo, com alguns desequilíbrios. A maioria dos autores antologiados é de primeiríssima água: Luiz Pacheco (com um excerto do Libertino passeia por Braga), Mário Cesariny, Alexandre O’Neill, Mário-Henrique Leiria, Natália Correia, Dinis Machado (com um excerto d’O Que Diz Molero), Fernando Assis Pacheco, Alberto Pimenta, Alface, Adília Lopes e Miguel Esteves Cardoso, entre muitos outros, são nomes maiores da literatura portuguesa das últimas décadas. No entanto alguns textos, sobretudo mais recentes, não têm grande qualidade ou até nenhuma (juntar Nilton e Cesariny numa mesma antologia é um bocado forçado…).
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De qualquer forma, exceptuando meia-dúzia de coisas francamente dispensáveis, a antologia é muito boa, com os textos bem escolhidos e constituindo uma boa amostra do melhor humor português que foi possível ler nas últimas 3 décadas.
.
A apresentação do livro, a cargo de Pedro Mexia e Nuno Markl (ambos antologiados), será feita na próxima 5ª feira, dia 11, às 21.30, na Casa Fernando Pessoa. Maria Rueff e Miguel Guilherme lerão alguns textos.
. Em 1969, Ernesto Sampaio e Virgílio Martinho publicavam na Afrodite, de Fernando Ribeiro de Mello, uma Antologia do Humor Português, reunindo em mais de 1000 páginas nomes que iam de Gil Vicente a Mário Cesariny, passando por Cavaleiro de Oliveira, Bocage, Camilo, Eça, Fialho, Gomes Leal, Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Manuel de Lima, Alexandre O’Neill ou António Maria Lisboa. Infelizmente, nunca foi reeditada, sendo por isso quase impossível encontrá-la (às vezes aparece em alfarrabistas).
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. Trinta anos depois, assumindo-se como uma espécie de sucessores de Ernesto Sampaio e Virgílio Martinho, Nuno Artur Silva e Inês Fonseca Santos editam, na Texto, uma nova Antologia do Humor Português, reunindo textos de 1969 para cá.
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A escolha dos autores é bastante abrangente e, talvez por isso mesmo, com alguns desequilíbrios. A maioria dos autores antologiados é de primeiríssima água: Luiz Pacheco (com um excerto do Libertino passeia por Braga), Mário Cesariny, Alexandre O’Neill, Mário-Henrique Leiria, Natália Correia, Dinis Machado (com um excerto d’O Que Diz Molero), Fernando Assis Pacheco, Alberto Pimenta, Alface, Adília Lopes e Miguel Esteves Cardoso, entre muitos outros, são nomes maiores da literatura portuguesa das últimas décadas. No entanto alguns textos, sobretudo mais recentes, não têm grande qualidade ou até nenhuma (juntar Nilton e Cesariny numa mesma antologia é um bocado forçado…).
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De qualquer forma, exceptuando meia-dúzia de coisas francamente dispensáveis, a antologia é muito boa, com os textos bem escolhidos e constituindo uma boa amostra do melhor humor português que foi possível ler nas últimas 3 décadas.
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A apresentação do livro, a cargo de Pedro Mexia e Nuno Markl (ambos antologiados), será feita na próxima 5ª feira, dia 11, às 21.30, na Casa Fernando Pessoa. Maria Rueff e Miguel Guilherme lerão alguns textos.
QUE VERGONHA, RAPAZES!
.
Que vergonha, rapazes! Nós pràqui
caídos na cerveja ou no uísque,
a enrolar a conversa no «diz que»
e a desnalgar a fêmea («Vist'? Viii!»)
.
Que miséria, meus filhos! Tão sem jeito
é esta videirunha à portuguesa,
que às vezes me soergo no meu leito
e vejo entrar quarta invasão francesa.
.
Desejo recalcado, com certeza...
Mas logo desço à rua, encontro o Roque
(«O Roque abre-lhe a porta, nunca toque!»)
e desabafo: -Ó Roque, com franqueza:
.
Você nunca quis ver outros países?
- Bem queria, Snr. O'Neill! E ... as varizes?
.
[Alexandre O'Neill, in De Ombro na Ombreira (1969) e Antologia do Humor Português (org. de Nuno Artur Silva e Inês Fonseca Santos, 2009)]
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Que vergonha, rapazes! Nós pràqui
caídos na cerveja ou no uísque,
a enrolar a conversa no «diz que»
e a desnalgar a fêmea («Vist'? Viii!»)
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Que miséria, meus filhos! Tão sem jeito
é esta videirunha à portuguesa,
que às vezes me soergo no meu leito
e vejo entrar quarta invasão francesa.
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Desejo recalcado, com certeza...
Mas logo desço à rua, encontro o Roque
(«O Roque abre-lhe a porta, nunca toque!»)
e desabafo: -Ó Roque, com franqueza:
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Você nunca quis ver outros países?
- Bem queria, Snr. O'Neill! E ... as varizes?
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[Alexandre O'Neill, in De Ombro na Ombreira (1969) e Antologia do Humor Português (org. de Nuno Artur Silva e Inês Fonseca Santos, 2009)]
NOIVADO
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Estendeu os braços carinhosamente e avançou, de mãos abertas e cheias de ternura.
- És tu Ernesto, meu amor?
Não era. Era o Bernardo.
Isso não os impediu de terem muitos meninos e não serem felizes.
É o que faz a miopia.
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[Mário-Henrique Leiria, in Contos do Gin-Tonic (1973) e Antologia do Humor Português (org. de Nuno Artur Silva e Inês Fonseca Santos, 2009]
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Estendeu os braços carinhosamente e avançou, de mãos abertas e cheias de ternura.
- És tu Ernesto, meu amor?
Não era. Era o Bernardo.
Isso não os impediu de terem muitos meninos e não serem felizes.
É o que faz a miopia.
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[Mário-Henrique Leiria, in Contos do Gin-Tonic (1973) e Antologia do Humor Português (org. de Nuno Artur Silva e Inês Fonseca Santos, 2009]
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