16.11.07

CARREIRISMO
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Após ter surripiado por três vezes a compota da despensa, seu pai admoestou-o.
Depois de ter roubado a caixa do senhor Esteves da mercearia da esquina, seu pai pô-lo na rua.
Voltou passados vinte e dois anos, com chofér fardado.
Era Director Geral das Polícias. Seu pai teve o enfarte.
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[Mário-Henrique Leiria, in Contos do Gin-Tonic, 1973]

15.11.07

CASAMENTO
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«Na riqueza e na pobreza, no melhor e no pior, até que a morte vos separe.»
Perfeitamente.
Sempre cumpri o que assinei.
Portanto estrangulei-a e fui-me embora.
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[Mário-Henrique Leiria, in Contos do Gin-Tonic, 1973]

14.11.07

HISTÓRIA EXEMPLAR
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Entrei.
– Tire o chapéu – disse o Senhor Director.
Tirei o chapéu.
– Sente-se – determinou o Senhor Director.
Sentei-me.
– O que deseja? – investigou o Senhor Director.
Levantei-me, pus o chapéu e dei duas latadas no Senhor Director.
Saí.
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[Mário-Henrique Leiria, in Contos do Gin-Tonic, 1973]

13.11.07

Eléctrico 24

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A carreira nº 24 do eléctrico de Lisboa chegou a ter o percurso Cais do Sodré – Alto de São João, embora em 1997, quando foi desactivada, funcionasse apenas entre o Largo do Carmo e Campolide.
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O Fórum Cidadania Lisboa propõe agora, passados 10 anos, a sua reabertura, numa primeira fase apenas no troço Cais do Sodré – Campolide. Para tal lançou uma petição on-line, que já assinei, e que tem o seguinte texto:
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Description/History:
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Há mais de 10 anos, aquando do início das obras de construção do parque de estacionamento subterrâneo em Campolide, a linha de eléctrico que ligava o Cais do Sodré–Carmo–Principe Real–Rato-Amoreiras–Campolide, foi interrompida temporariamente, suspendendo-se assim uma das linhas de eléctricos mais importantes de Lisboa, turisticamente falando, mas não só. .De facto, aquela linha é toda uma espinha dorsal de Lisboa, facto entretanto agravado seja abertura de um interface no Cais do Sodré, seja pela crescente atractividade do Chiado e do Bairro Alto, de dia pela utilização diária dos habitantes e de serviços e dos turistas, à noite, em que milhares de pessoas acorrem ao local para os diversos locais de diversão e restauração. E este é um ponto demasiado importante para ser desconsiderado, já que uma das poucas zonas urbanas da cidade que é utilizada, massivamente, 24 horas por dia, está realmente congestionada, com poucas opções para mais estacionamento, tendo em conta os efeitos no edificado e em conjuntos protegidos e na perversidade de atrair mais trânsito a um local já de si limitado..Por isso, a reactivação desta linha de eléctrico, com um horário alargado, permitiria transportar todo o tipo de públicos que utiliza esta zona, a partir das zonas fronteiriças e exteriores ao casco urbano mais antigo, permitindo ou fomentando a utilização de parques automóveis noutras zonas da cidade.
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Petition:
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Considerando que, fisicamente, toda a linha de carris em causa ainda existe em todo o percurso, e que este é um investimento que, com toda a certeza, apenas trará vantagens à cidade;.Considerando que existe um protocolo entre a Câmara Municipal de Lisboa e a CARRIS, para activar a antiga carreira de eléctrico 24 (Campolide-Largo do Carmo), e que (segundo fonte da própria CARRIS) apenas se aguardava pela conclusão das obras no passadiço do Elevador de Santa Justa para a reactivar;.Considerando que as referidas obras já terminaram e que a própria Associação de Turismo de Lisboa (ATL) está fortemente interessada em que aquela carreira de eléctrico seja reactivada;.E considerando a elevadíssima pressão que existe actualmente sobre o eléctrico 28, a que só a criação de novas linhas e a reabertura de outras entretanto fechadas poderá obviar,.SOLICITAMOS À CARRIS E À CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA QUE DÊEM INÍCIO AOS PROCEDIMENTOS NECESSÁRIOS COM VISTA À REABERTURA, A CURTO PRAZO, DA LINHA DE ELÉCTRICO 24, DO LARGO DO CARMO A CAMPOLIDE, INCLUINDO A EXTENSÃO AO CAIS-DO-SODRÉ!.É que, bem divulgada, a carreira do eléctrico 24 reúne todas as condições para se tornar um novo ícone dos eléctricos da capital.
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Além do 24, este Fórum defende a abertura de uma nova linha de eléctrico de Benfica ao Parque das Nações, atravessando áreas muito populosas e com péssimos transportes.
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O mesmo Fórum lança ainda a ideia de novas linhas para a zona ocidental de Lisboa (Algés, Miraflores, Alfragide, Odivelas) e oriental (Santa Apolónia, Moscavide, Portela).
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Todas estas propostas podem ser lidas neste documento.

12.11.07

Um Dia por Lisboa

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À semelhança do que aconteceu por altura das últimas eleições para a Câmara de Lisboa, vai realizar-se hoje um debate sobre esta cidade no Teatro São Luiz, desta vez com o tema “Lisboa, Tejo e Tudo – o que fazer e não fazer com a Frente Ribeirinha de Lisboa”.
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A iniciativa tem início às 18h com a intervenção de Nuno Portas, Gonçalo Ribeiro Telles, Nuno Teotónio Pereira, Jorge Gaspar e Augusto Mateus, entre outros. Por volta das 21.30 inicia-se o debate com os responsáveis da cidade e da zona ribeirinha em particular: António Costa (a confirmar), Manuel Salgado e José Miguel Júdice, entre outros.
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A entrada é livre.
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Mais informações aqui.

8.11.07

Byblos

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O Jornal de Letras desta semana traz esta notícia surpreendente: vai ser inaugurada no próximo dia 6 de Dezembro a maior livraria do país, na zona das Amoreiras, em Lisboa (Rua Carlos Alberto Mota Pinto).
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O seu nome será Byblos e é um projecto liderado por Américo Leal, anterior proprietário da Asa. Trata-se de uma gigantesca livraria com 3300 m2 de área comercial e 150 mil livros disponíveis (a totalidade do catálogo das editoras nacionais)! Terá uma decoração “high-tec” e algumas curiosidades interessantes, das quais destaco a seguinte: tendo em conta a enorme quantidade de livros, aqueles que têm menor rotatividade estarão em armazém, mas basta ao cliente escrever num ecrã o título da obra, que esta virá até si através de um sistema robotizado! Além disso todos os livros terão um chip para permitir a clientes e funcionários encontrá-los com enorme facilidade.
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Além dos livros, a Byblos terá música, filmes, publicações periódicas, assim como uma cafetaria e um auditório com 100 lugares sentados, com a promessa de muitas actividades culturais.
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Estará aberta de Segunda a Sábado das 10 às 23 horas e aos Domingos das 10 às 13 horas.

7.11.07

Lisboa Monumental (4)

Para concluir esta série, deixo duas citações de Fialho que, mais de 100 anos depois, mantém uma preocupante actualidade:
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“Há muito até que para travar o génio porcaz, desorientado, idiota, que por esse país alastra em matéria arquitectónica, todos os edifícios públicos ou privados, em edificação ou restauro, deviam ter um conselho artístico por cujo voto os respectivos projectos passassem, e isto para tirar às vereações e comités locais, a brasileiros e mercantes cuja única função social é ganhar dinheiro, a intervenção nefasta que, em nome duma liberdade de que não sabem usar, se lhes tem dado na estética urbana do país.”
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“Temos, e teremos sempre, municípios inaptos para saberem amar com amor de artistas esta infeliz capital entregue em suas mãos, pois raro as vereações são cultas, dessa cultura especial que impõe pontos de vista, e atira o espírito para além das comesinhas questiúnculas de roupa suja e de marmita.”

6.11.07

Lisboa Monumental (3)

Um outro aspecto sobre o qual Fialho se debruça é a necessária “derrocada, ou pelo menos a larga desabridação dos bairros infectos de Alfama, Castelo, Mouraria, Alcântara e outros muitos onde a população trabalhadora se comprime, e mais ou menos são montureiras de gente, destruidoras da mocidade e vigor da raça popular”. E reforça que “ao derribar alguns destes redutos infames da tuberculose implacável, não devem os municípios dar ouvidos à arqueologia piegas que em certos bestuntos confunde o respeito das coisas artísticas com a monomania idiota de conservar tudo o que é velho”. Mais à frente descreve-nos desta forma estes bairros:
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“Casas estreitas, mal repartidas, decrépitas, ruas tortuosas onde escasseia a luz e o ar, canos insuficientes que estagnam debaixo dos prédios, por tempo indefinido, as imundícias e resíduos da vida – lixos, dejectos, que agora saem pelos barris e canos de esgoto, e logo tornam pela janela, em poeiras e exalações do solo e do ar contaminados, ou sob a forma de lamas, pela porta, agarrados aos pés dos moradores… Ruas varridas em seco, às horas vitais em que a população ainda moureja, ou não varridas nunca, numa terra em que a nortada imbecil, todas as tardes faz engolir aos transeuntes o esterco avulso das calçadas mal feitas e dos macadames nem petrolados, nem alcatroados, segundo a norma das terras higiénicas… Carroças de lixo a céu aberto, cheias de buracos e fendas, que por um lado apanham o esterco, e por outro o vão peneirando aos solavancos das rodas, por calçadas cheias de escaninhos… Esgotos horríveis, pestosos urinóis sem desinfecção nem limpeza regular, latrinas no sítio mais escuso e húmido das casas, onde os únicos líquidos são urinas ou águas corruptas da cozinha – madeiras podres e soalhos fendidos, por cujas frinchas os detritos infecciosos se anicham, lustres, constituindo nos entre-solos outros tantos focos de cultura – doenças contagiosas que passam, matam e vão renovando os inquilinos, sem que nenhuma desinfecção, pintura ou lavagem regular dos muros e soalho, ao menos sossegue o espírito contra a repercussão dos mortos nas novas gerações de moradores…”
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Fialho propõe como resposta a construção de novos bairros operários, arejados e higiénicos e repletos de equipamentos de apoio: jardins, bibliotecas, creches, ginásios, igrejas e sobretudo ricas escolas, “visto estarmos num tempo em que o Estado cria o dever de tomar a criança operária desde a creche, não a largando mais até restituir à sociedade o homem feito e independente”.
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(continua)

5.11.07

Lisboa Monumental (2)

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A mais grandiosa obra desejada por Fialho consistia numa “ponte sobre os vales da Avenida e Rua da Palma, ligando São Pedro de Alcântara a Santana, e esta à Graça ou Monte do Castelo”, cujo ambiente é imaginado desta forma:
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“Percorrer em manhãs e tardes essa avenida a 80 metros do solo, bordada de passeios e refúgios suspensos sobre mísulas, vendo por baixo vertiginosamente ferver a bicharia dos bairros pobres, a avenida estender-se em regueiros brancos e verdes, de asfalto e folhas de árvores, na estonteação do ar livre, com horizontes de voo de águia, seria um destes prazeres sibaríticos que os cogitadores de quimeras agradeceriam a Deus, como antevisão do paraíso dos maduros. Que vagabundagens por ali, nas noites quentes, perorando no ar pulcro, sobre a madorna bronca do burgo, as velhas questões que fazem chispar o olhito rugoso, de papagaio, de D. Gualdim!”
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Para coroar esta obra grandiosa era proposto um “palácio da Alcáçova” no Castelo de S. Jorge “com os atractivos e vícios que a gente culta e rica tem por passatempo, pois, além das capitais não engordarem hoje de virtudes, é certo que um pouco de deboche activa a civilização dos povos bisonhos, e é um maravilhoso factor de sugestões”. O palácio teria assim “roleta, mulheres, circos de Verão, teatrofones, música clássica, atlética, mascaradas, festas de carácter pitoresco e popular”, sendo uma espécie de “casino e circo, biblioteca e restaurant, velódromo e frontão, hall de concertos e teatro de ópera”. Toda a montanha em redor seria revestida de ciprestes.
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(continua)

2.11.07

Lisboa Monumental (1)

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A propósito de duas exposições de arquitectura reunindo trabalhos dos alunos da Escola de Belas Artes e da Sociedade Nacional de Belas Artes, Fialho de Almeida escreveu um longo texto, publicado em dois números da Ilustração Portuguesa, com o título Lisboa Monumental. Estávamos em 1906 e, ao mesmo tempo que criticava implacavelmente quase toda a arquitectura e urbanismo que se ia fazendo (a Praça Saldanha “cheia de casarões e cubatas imbecis”, a Av. Ressano Garcia em “estado de selvajaria boçal” ou o Palácio da Ajuda “com o ar de um quartel”, “no meio de uma aldeola indecente”), propunha um conjunto de obras grandiosas, uma Lisboa utopicamente monumental.

Este artigo foi depois editado em livro e reeditado recentemente pela Frenesi (em 2001) e vou passar uma vista de olhos por algumas das suas propostas:
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Para a rotunda do Marquês de Pombal sugeria Fialho quatro palácios nos pontos cardeais, que serviriam para as sedes de associações médicas, comerciais ou outras, intervalados por edifícios para concertos, exposições e também residências particulares. O parque, “com a rica grade forjada”, teria belvederes e cascatas de fontes.
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Uma questão que ainda hoje não está resolvida é a ligação entre os jardins da Escola Politécnica com a Avenida da Liberdade, para o qual Fialho propõe uma “entrada de estilo grille, um hemiciclo de estátuas ou colunas, onde muito bem podiam estar Brotero e Garcia de Orta”.

Para a entrada do Campo Grande, vindo da Av. Ressano Garcia (actual Av. República) sugere-se um grandioso arco do triunfo:
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Para a Avenida da Índia, que Fialho entendia dever ter o triplo da sua largura na época, propunha no relvão central “estátuas de todos os heróis das descobertas e conquistas, o que daria ao estrangeiro que entrasse o rio, com essa fileira de colossos, uma ideia senhoril do povo luso”.
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A Avenida da Liberdade podia “ir recolhendo nos seus relvões, de ambos os lados, todas quantas gentes merecessem da glória, e valesse a pena fixar na perpetuidade cultural das gerações”, mas aqui sob a forma de monumentos mais pequenos.
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A margem sul do Tejo, imagina-a Fialho como a zona industrial por excelência da capital, uma “outra grande Lisboa de forjas e martelos, a Lisboa fabril, eriçada de chaminés e fumos londrinos”, empurrando para lá as indústrias de Alcântara e Poço do Bispo, desobstruindo estas zonas “dos hangares, barracões e feios depósitos de mercadorias que ali se ajuntam, vedando ao lisboeta de gema a margem do seu Tejo”.
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Para ligar as duas margens deveria ser construída uma ponte para caminho de ferro e peões:
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(continua)

31.10.07

A Guerra

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Depois de ver três episódios d’ A Guerra, de Joaquim Furtado (todas as terças-feiras na RTP1, a seguir ao Telejornal), parece-me claro que estamos perante um documento de invulgar qualidade, sem dúvida a melhor coisa que a RTP nos deu nos últimos tempos.
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A série terá no total 18 episódios – mais 6 ainda este ano e os restantes em 2008 – e é de louvar que esteja a passar em horário nobre.

30.10.07

dinheiro, família e igreja

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"Mais do que conduzirem a uma reflexão crítica sobre o estado da escola pública, os supostos rankings escolares que alguns jornais e TVs tanto gostam de mostrar, parecem um exercício de descarado classismo. As melhores notas obtêm-se nas escolas mais caras e mais selectivas socialmente. Obrigado pela informação. Assim os pais dos miúdos que andam nas outras escolas todas ficam a saber que com dinheiro, família e igreja o sucesso é garantido." [...] "A obsessão de alguma media com os rankings vai sempre junto com editoriais sobre a liberdade de escolha das escolas, sobre a definição local de programas, sobre os cheques-escola, sobre a liberdade de educação e por aí fora. Trata-se, simplesmente, de criar o clima social para a conquista de um dos últimos mercados a retirar à coisa pública. O motivo ulterior é a evangelização mercantil."
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[Miguel Vale de Almeida em post n'Os Tempos Que Correm]

God Save the Queen

Anarchy in the UK

29.10.07

30 Anos

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