17.11.10

Chego cedo ao café
à hora a que estão a entrar
as batatas e as cebolas
os legumes dão-me paz
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[Adília Lopes, in Apanhar Ar, Assírio & Alvim, 2010]

16.11.10

Apanhar Ar

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(clicar para aumentar)
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Apanhar Ar, de Adília Lopes, é hoje apresentado na livraria da Assírio & Alvim.

12.11.10

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A PREGUIÇA
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A alma adora nadar. Para nadar, há que deitar-se de barriga. A alma despega-se e parte. Parte a nadar. (Se a vossa alma parte quando estais de pé, ou sentados, ou de joelhos, ou apoiados nos cotovelos, para cada posição corporal diferente a alma partira com uma locomoção e uma forma diferentes, segundo concluirei mais tarde).
Fala-se muito em voar. Não é isso. O que ela faz é nadar. E nada como as serpentes e as enguias, nunca de outro modo. Há imensa gente que tem assim uma alma que adora nadar. Chamam-lhes vulgarmente preguiçosos. Quando a alma deixa o corpo pelo ventre para nadar, produz-se uma tal libertação de sei lá o quê, é um abandono, um gozo, uma descontracção tão íntima.
A alma parte a nadar no vão das escadas, ou na rua, consoante a timidez ou a audácia do homem, porque ela conserva sempre um fio que a une a ele, e se esse fio se quebrasse (às vezes é muito fino, mas só uma força terrível o poderia romper) seria terrível para eles (para ela e para ele).
Então, quando ela está entretida a nadar ao longe, escoam-se, por esse simples fio que liga o homem à alma, volumes de uma espécie de matéria espiritual, como lama, como mercúrio, ou como um gás – gozo interminável.
É por isso que o preguiçoso é incorrigível. Nunca mudará. É por isso que a preguiça é a mãe de todos os vícios. Pois acaso haverá coisa mais egoísta do que a preguiça?
Tem fundamentos que o orgulho não tem.
Mas as pessoas irritam-se com os preguiçosos.
Quando os vêm deitados, batem-lhes, mandam-lhes água fria à cabeça, eles têm de recolher a alma imediatamente. Olham-vos então com esse olhar de ódio, bem conhecido, que se vê sobretudo nas crianças.
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[Henri Michaux, in Antologia, Relógio D’Água, 1999]

8.11.10

Clássicos russos na Relógio D' Água

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"A Relógio D’Água prossegue, nos próximos meses, a publicação de clássicos russos, como Turguénev, Tolstói, Dostoievski e Tchékhov. Trata-se de autores surgidos no período de criação literária mais fecundo de sempre, ou seja, na Rússia que vai da libertação dos servos à revolução de 1905.
De Turguénev, e depois da novela Águas da Primavera sairá, ainda este ano, o último romance que escreveu, Solo Virgem, em tradução do russo de Manuel de Seabra.
Os Irmãos Karamazov de Fiódor Dostoievski e Guerra e Paz de Lev Tolstói estão a ser traduzidos por António Pescada, tendo edição prevista para o primeiro semestre de 2011.
De Tchékhov será publicado A Ilha: Uma Viagem a Sakhalin. É a narrativa de viagens que o então jovem médico Tchékhov fez aos condenados em Sakhalin, um local remoto onde apenas se aguardava a morte.
Do até agora inédito em Portugal Saltykov-Shchedrin acaba de sair A Família Golovliov, com um prefácio de James Wood, que considera este romance «cada vez mais moderno com a passagem do tempo».
A lista de clássicos russos é completada com Petersburgo de Andrei Béli em tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra. O romance foi considerado por Vladimir Nabokov o terceiro mais importante do século XX, logo a seguir a Ulisses de Joyce e Metamorfose de Kafka e antes de Em Busca do Tempo Perdido, de Proust."
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[do blog da Relógio D' Água]

6.11.10

Silvestre

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Silvestre (1981), de João César Monteiro, hoje, às 15.30, na Cinemateca.

4.11.10

Mário Cesariny na Relâmpago

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(clicar para aumentar)

O número 26 da revista Relâmpago é dedicado à poesia de Mário Cesariny. O lançamento é hoje, às 18.30, na livraria da Assírio & Alvim, com apresentação de Fernando Cabral Martins. Serão lidos alguns poemas de Cesariny pelos actores Eurico Lopes e Paulo Pires.

3.11.10

Está a chegar

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Apanhar Ar, de Adília Lopes, na Assírio & Alvim.

29.10.10

O regresso da Trama

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A livraria Trama reabre hoje, às 18h, após uns meses de ausência. Está na mesma rua, um pouco mais acima.

27.10.10

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OS CAFÉS
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Nos café desenham os paisanos, vulgares
senhores de bagaço e genebra, raspando o mármore
entre as folhas do jornal. Morrem os cafés
com seu bilhar, bengaleiro e escarrador. Música
de rádio ainda sintoniza a serradura e os vidros
baços quando chove. Recordo cafés
da província, ou da cidade grande,
destruídos por ímpias criaturas do plástico.
Já não servem cevada ou eduardinho e o açúcar
não vem no açucareiro. Alguns ainda assinam
os jornais, o cobre limpam e pagama
os paquetes. Autorizam cauteleiros, a caixa
do engraxador, a rapariga das violetas. Violentam
os cafés aqueles da usura, ratos do cimento.
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Avesso à militança, são os cafés retrato militante
de algumas senhoras de batina e capa, entornando
no pires o leite do caniche. Alvoraçados os velhos
titilam nas retretes e os tabacos esgotam-se em suspiro.
São cafés com espelhos e amarelas luzes onde o néon
ainda não entrou. Também de padres são feitas
essas lojas; de marçanos, rapazelhos e trapistas.
Desenvolvo teorias sobre os ditos. Em tempo de ditadura
era o café a teia da intriga, o bocejar jacobino,
o guarda-chuva pingando tristes ais. Insisto pois
no rádio e radiador. Quem lembra os pianos?
Carambolas secas já cortavam o fumo dos charutos;
no marcador quinze de partido; na mesa ao fundo,
igual à história antiga, dois jogadores de xadrez ou de gamão.
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[Eduardo Guerra Carneiro, in Contra a Corrente, & etc, 1988]

26.10.10

A biblioteca de Fernando Pessoa

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A Casa Fernando Pessoa digitalizou a totalidade dos 1140 livros que constituíam a biblioteca particular de Fernando Pessoa e disponibiliza-os aqui.

25.10.10

"... o espaço dedicado à crítica tem vindo a diminuir drasticamente; estamos hoje reduzidos ao modelo da pequena recensão com intuitos de divulgação (a crítica propriamente dita requer um discurso argumentativo que o modelo jornalístico actual não contempla e até evita); a literatura perdeu o espaço e o prestígio que tinha e o 'espaço público' literário é de uma grande exiguidade; as páginas dedicadas à literatura têm de competir no grande campeonato da cultura do espectáculo; o crítico deixou de saber para quem escreve. A velha função social e de orientação que a crítica teve perdeu-se quando deixou de existir a sociedade cultural e literária vital e reactiva (com os seus debates, as suas polémicas, etc.), que constitui a própria condição de possibilidade da crítica. Destituído da sua função civil, o crítico desapareceu, tal como desapareceu a figura do intelectual. O primeiro foi substituído pelos mediadores culturais, tal como o segundo pelos profissionais da opinião."
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[António Guerreiro, Actual (suplemento do Expresso, 23-10-2010]

22.10.10

Feira de alfarrabistas no Príncipe Real

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Inserida na iniciativa "Noites Claras" está a decorrer uma feira de alfarrabiastas no Jardim do Príncipe Real. É hoje o último dia.

21.10.10

Já está nas livrarias

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Pan, de Knut Hamsun, na Cavalo de Ferro, editora que publicou também o genial Fome.

12.10.10

Estão a chegar

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O Bebedor Nocturno e As Magias, de Herberto Helder, na Assírio & Alvim.

1.10.10

“Nunca deixarei, creio, de ser ajudante de guarda-livros de um armazém de fazendas. Desejo, com uma sinceridade que é feroz, não passar nunca a guarda-livros.”
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[Bernardo Soares, in Livro do Desassossego, edição de Richard Zenith, Assírio & Alvim, 5ª ed., 2005]