26.10.07

O velho bairro das Picoas

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Jorge Silva Melo em 1968

O PEQUENO CAFÉ ANTIQUADO
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Era um bairro de enormes apartamentos sombrios, explicações de Latim, intermináveis corredores, quartos interiores, altos andares sem elevador, árvores nalgumas ruas, muitos automóveis sempre, prostituição masculina na escada do centro comercial que foi, durante uns tempos, o mais elegante, o das prendas de Natal para a mãe, restaurantes pesados, com aqueles pernil de porco e feijoada à transmontana que fizeram os almoços de domingo; eram as Picoas.
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E sempre que por lá passo, vejo as melancólicas personagens de Maria Judite de Carvalho, mulheres inquietas regressando à sombra das suas casas, aos braços de improváveis maridos, costureiras, modistas, gente remediada ou burguesas em desequilíbrio, mulheres que foram à Baixa de autocarro e regressaram com umas compras que eram feitas na antiga Jerónimo Martins ou nas capelistas da Rua de São Nicolau, vejo-as ainda, nem tão velhas como isso, abrindo esta manhã o chapéu de chuva, que o tempo mudou. Vejo-as e vejo os maridos janotas regressando de empregos e das amantes aos fins de tarde burgueses, indo e vindo da Linha do Estoril de todos os perfumes.
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Por isso estranho estas ruas arremelgadas que agora atravesso a pé, ruas de nomes inseguros – Viriato, Tomás Ribeiro, Filipe Folque, Luís Bívar, qual delas é? perguntamos sempre – por onde tantos anos passei da adolescência e juventude, lendo e voltando das sessões de cinema do Monumental ou de teatros no Villaret, às vezes com o “Nouvel Observateur” debaixo do braço, que às quintas-feiras comprava no quiosque do Monte-Carlo, às vezes com amigos de faculdade, de liceu, gente do contra conspirando pelas esquinas da Maternidade Alfredo da Costa.
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Só há poucos meses entrei na Casa Museu Anastácio Gonçalves, a linda moradia de Norte Júnior, ali especada e rasgada pela bela janela que foi o ateliê de Malhoa. E gostei da exposição que lá estava, João Vaz, paisagista com algum mistério, gostei da casa, recôndita, secreta, vida de tantos tempos, tantos convívios, sobrevivente já antes de mim, aquela sua pompa ingénua fez-me sorrir.
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Ainda lá estarão, nalguns andares mais altos, os escuros quartos de velhas senhoras, que ainda pensam que o mundo gira à volta da chícara de chá pelas cinco da tarde e a cançoneta de crooner, gente esquecida em andares com pouca electricidade, ainda lá estarão os botões por colocar, a farda da criada por revirar, um romance francês, um Simenon em português, umas fotografias de casamentos ou de viagens a Espanha, talvez misturadas, agora, com revistas espanholas das que contam o nascimento da Infanta, como antes terá existido o “Paris-Match”. Mas será nos andares de cima, os esquecidos. Tudo o mais, neste bairro encafuado entre o Corte Inglês e o Saldanha de todos os feíssimos vidros novo-ricos, se remoçou, hotéis, escritórios, vidro aqui, prédio de serviços ali, lojas de xispêtêo, gourmets, coisas dessas que passam por ser cidade e mais aqueles prédios que se chamam Plaza e que costumam ficar em arrabaldes, cidades-satélite de Paris, por exemplo, e aqui contaminam o centro histórico, ai a destruição.
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Mas há gente por todo o lado nesta manhã fria, gente que conversa sobre horários, regalias, idas a despacho, sentenças, faltas, atrasos ao serviço, um bulício imenso de gente suburbana entre o croissant e o emprego, tanto guardanapo de papel envolvendo os bolos, conversando interminavelmente, entrando e saindo destes prédios rejuvenescidos, empinocados, janotas. E os passeios são estreitos para tanta gente, a conversa tem de subir de tom quando três pessoas vão ao lado, os papéis caem das pastas (compradas nos chineses) para a valeta encharcada. Estou no futuro, não me reconheço, manhã atravancada e polida nestes cafés abrilhantados, nestes locais de gente que não sei quem é nem saberei, gente agitada e tagarela.
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Recolhe-me a um café antigo, pequeno, de que me lembro das excelentes tranças, café que foi em frente de um andar onde viveu durante anos o José Mário Branco, café onde tantas vezes conversei com o Paulo Rocha, que vivia ao virar da esquina, café dos anos 70, pequenino, bom, nada bonito, de já velhos empregados atenciosos. E ouço, vinda de outra mesa, uma voz que reconheço, vinda do fim do tempo, voz de uma professora que tive na Faculdade, a Maria Elena Mira Meteus, e que, mesmo agora, reformada, guardou o seu tom de menina. Queria uma meia de leite, eram nove da manhã e ia para o cabeleireiro, sorriu ao ver-me, beijámo-nos à despedida, ainda rimos de estarmos vivos.
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E olha que o velho bairro das Picoas renasceu com a conversa com esta professora que, de vez em quando, cruzo. Voltou-me lentamente a antiga ida à leitaria, o livro lido ao pequeno-almoço, o modesto passar das horas corrigindo provas e teimando em ensinar, voltou-me o tempo da minha juventude, aquele bairro insólito voltou a ser meu. Mesmo sem a galeria que ali havia, a Quadrante, onde pela primeira vez expôs o Eduardo Batarda, onde vi os primeiros trabalhos de Ana Vieira, mesmo sem os locais por onde anda a sombra da conspiração dos anos 60, a sombra inquieta da gente do cinema dos anos 90 agrupando-se à volta do Paulo Rocha, tirando fotocópias, enviando protestos até às tantas, mesmo com tanta gente que por ali anda como se fosse noutra cidade, noutro país, senti-me em casa, voltei para dentro de mim.
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Fui à reunião matinal que tinha e voltei, passada uma hora, ao mesmo cafezinho com forte cheiro a farinha, manteiga e forno. E na mesma mesa onde estivera a professora que evocou comigo os tempos de faculdade, estava agora, folheando o jornal, um outro amigo meu de outros tempos (ou semi-amigo, pois nem íntimos somos, nem telefones trocámos), homem que admiro e sempre leio, intelectual, homem de acções e paradoxos vários, homem inteligente e afável, o Manuel Lucena. E com ele voltei a falar, a conversar, que bom encontrar gente de amanhã, ampara a vida.
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O dia vai indo e a vida entregou-se-me.
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[Jorge Silva Melo, in Século Passado, Cotovia, 2007]

25.10.07

“Considero-me um homem culto”


Foi este o homem que Cavaco Silva entendeu ter o perfil adequado para Secretário de Estado da Cultura:

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K: Porque é que está sempre calado ao pé do Primeiro-Ministro? Porque é que quando foi para o Parlamento Europeu estava sempre calado, com ar de menino bem comportado atrás do professor Cavaco Silva? Porque é que quando está o Primeiro-Ministro se cala, sendo o Secretário de Estado da Cultura? Porque é que deixou, porque é que admitiu que fosse o Primeiro-Ministro a dizer aquelas coisas no Dia do Teatro? E porque é que não nos disse o que pensa, porque é que não falou para nós? Não sabemos nada do que é que pensa! Percebe? Não o conhecemos de parte nenhuma. O senhor não faz parte do nosso universo. Caiu, apareceu-nos aqui e ficámos todos, quer no teatro quer nas outras áreas, a dizer “mas o que é isto que agora nos apareceu?” E pronto. Tem 33 anos, não é nenhum velhadas horroroso, tem até bom aspecto, já é bom ...
P.S.L. Mas não pertenço ao universo ...
K: Não. Não tem nada a ver connosco.
P.S.L. Em relação a pertencer ao uni­verso, eu isso já tive a oportunidade de conferir e estudar... Nenhum dos meus colegas da cultura, nas Comunidades Europeias ... Eu não sou sempre uno, per­tenço ao que chama o universo ...
K: Mas não me respondeu: como é que caiu aqui?
P.S.L. Não sei, não é cair: foi o Primeiro­-Ministro que se lembrou, que me convi­dou. E eu devo dizer: a cultura ... Vamos lá ver. .. aliás o doutor Lucas Pires, na sua opinião um Ministro da Cultura exce­lente ...
K: Na minha opinião.
P.S.L. Pronto, na sua opinião. Ele é originário até das mesmas áreas do que eu; é um homem da Universidade, da Faculdade de Direito, da ciência política exactamente de onde eu sou.
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K: Acha que tem vocação para ser Secretário de Estado da Cultura?
P.S.L. Acho... acho. Acho que um político não deve pensar que é capaz de executar todo e qualquer cargo, embora eu entenda a política ou tenha uma visão que muitas vezes os inte­lectuais não gostam. Eu julgo que um político tem de ser alguém com uma formação razoá­vel ... uma formação e informação razoável e, depois deve ter uma capacidade de decisão e sentido político.
K: Acha que é um homem culto?
P.S.L. Considero-me um homem culto. Não... não... enfim. Não vou repetir afirmações incor­rectas que algumas pessoas fizeram quando eu tomei posse, mas não me considero um intelectual, nem o pretendo ser. Ainda no outro dia dizia por graça ao Primeiro-Ministro, “Não pense que me tornei num intelectual que nunca fui”. E ele olhou para mim com uma cara tipo “Agora, também este!”... Mas enfim... é o lugar que eu mais gostei de ocupar até hoje. É um lugar fascinante.
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P.S.L. […] O meu amigo Marcelo Rebelo de Sousa punha-me constantemente na Olá! Então, as pessoas tinham a ideia que eu adorava festas sociais, que adorava jantares, cocktails ou recepções, que é uma coisa a que vou tão pouco quanto possível. Gosto muito de dançar e gosto muito da noite. Gosto imenso de estar acordado quando ninguém está. De andar em Lisboa, quando Lisboa está a dormir.

[excertos de uma entrevista de Pedro Santana Lopes a Graça Lobo, Kapa nº 1, Outubro de 1990]

24.10.07

Livros em Desassossego

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Recomeça hoje a nova temporada de Livros em Desassossego, na Casa Fernando Pessoa. O tema de hoje é “Concentração Editorial: Perigos e Vantagens” e vão estar presentes João Amaral (do novo grupo de Paes do Amaral), António Lobato Faria (da Oficina do Livro), João Rodrigues (da Sextante) e Francisco Vale (da Relógio D’Água). Vai estar também Inês Pedrosa, a apresentar um novo romance. A moderação, como de costume, é de Carlos Vaz Marques.
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Vamos ter portanto “editores independentes” versus “grandes grupos editoriais” a discutir um tema muito relevante. Portugal tem assistido nos últimos tempos a uma preocupante concentração de editoras, o que não augura nada de bom.

23.10.07

A disneylandização da cidade

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“A Zara de um lado e a sueca H&M disputam o mercado do giro-para-esta-semana, a Fnac vende livros que sei lá, agências de viagens prometem Cuba sem que se veja comunismo, a velha fábrica de mostarda também vende massa para cozer num minuto, as pizzarias sucedem-se, Massimo Dutti aqui, Springfield ali.
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Limpa, esta cidade esqueceu. Não o século XIV que continua a cobrar, renovadinho, para reformados, nem o século XVII, que especula no imobiliário. Mas esqueceu a sua vida, os seus amores e crimes, o bulício; as suas nódoas foram desinfectadas, espurgadas, rasuradas. Ouve-se Nelly Furtado pela rua. Uma mansa (violenta porque mansa) disneylandização rasurou a cidade para vender aos turistas que lá vão, hora a hora, do Van Eyck à Pizza Hut.
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Também quando, no outro dia, disse ao Miguel Borges: “encontramo-nos na esquina do Condes”, ele olhou para mim, olhou e disse “Onde?” como se eu fosse marciano.
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E é isso mesmo: fiquei marciano.
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É que também a “minha cidade” (a da esquina do Condes, do Monte-Carlo, do Monumental) já naufragou.”
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[Jorge Silva Melo, in Século Passado, Cotovia, 2007]

22.10.07

Século Passado

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Século Passado, de Jorge Silva Melo é um livro excelente. Sendo constituído por textos que JSM foi escrevendo, a maioria para o Mil Folhas (suplemento do Público) mas também para o Público propriamente dito, para o Magazine Artes, para o Jornal de Letras, para a Epicur, entre outras publicações, acaba por funcionar no seu conjunto como uma espécie de livro de memórias. Memórias de uma geração e da sua Lisboa, dos seus filmes, dos seus livros, da sua política, das suas pessoas, enfim da sua cultura em sentido lato.
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Temos assim abundantes referências a pessoas como Glicínia Quartim, Mário Dionísio, Sophia de Mello Breyner, Miguel Lobo Antunes, Álvaro Lapa, Isabel de Castro ou Eduarda Dionísio; livros de Elio Vittorini, José Rodrigues Miguéis, Augusto Abelaira, Cesare Pavese ou Armando Silva Carvalho; filmes de Jacques Tati, John Ford, Raoul Walsh, Paulo Rocha, João César Monteiro ou Hitchcock; cidades como Madrid, Paris, Milão ou Berlim.
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E depois há essa Lisboa de outros tempos, vista com imensa nostalgia: os bairros das Picoas ou das Amoreiras, a Rua da Artilharia Um, os velhos cinemas desaparecidos (Lys, Rex, Royal, Tivoli, Éden, Monumental, São Jorge), os cafés, como o Monte-Carlo, o Liceu Camões ou a Livraria/Galeria 111.
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A edição é da Cotovia, lindíssima, de capa dura e com uma série de fotografias, embora com um preço pouco convidativo.

19.10.07

“Vivo em Lisboa, cidade em que cresci. E todos os dias cruzo lugares da minha infância, sítios onde encontrei não sei quem. Ter uma pátria deverá ser isso: uma terra a que se sobrepõem imagens com os anos que passam, uma cidade palimpsesto da nossa memória. Ter pátria há-de ser isso: ter uma infância.”
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[Jorge Silva Melo, in Século Passado, Cotovia, 2007]
“Entristecem-me as traduções que vejo saírem, livros de nostalgia para gente que bebe chá, Edith Wharton, Evelyn Waugh.”
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[Jorge Silva Melo, in Século Passado, Cotovia, 2007]
“Ideia para uma editora: um roteiro dos locais onde se conspirou, se juntou gente, trabalhou, se sentou, transitou, a Graça dos anos 20, a Alcântara do pé descalço. E um livro sobre o que veio depois, nos anos depois do Delgado, as vidas cruzando-se na cidade mais nova, o Tatu dos associativos, a Suprema dos Pêcês, a 111, a Barata onde se comprava Mao Tsé Tung, o Imperial dos cineclubes finais, tantas discussões sobre a fundação do cinema mais os filmes possíveis, os de Dino Risi, não apenas as prisões, não apenas as torturas, mas os sonhos, as ideias, separações, os abraços, que andam a pairar sem nome sobre mim, as traições também – e as mentiras.”
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[Jorge Silva Melo, in Século Passado, Cotovia, 2007]

18.10.07


[Fernando Lemos, Rua do Sol ao Rato]

17.10.07

Jorge Silva Melo e João Bénard da Costa no Chiado

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Jorge Silva Melo e João Bénard da Costa vão hoje falar sobre os seus recentes Século Passado (Cotovia) e Os Filmes da Minha Vida Vol. 2 (Assírio & Alvim), respectivamente. Vai ser na iniciativa “5 Livros, 5 Autores”, inserida na “Festa no Chiado”, e começa às 19h no Grémio Literário (Rua Ivens, nº 37).

16.10.07

Pó dos Livros

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Um dos problemas do mercado português do livro tem a ver com a elevada concentração de vendas em apenas duas cadeias: FNAC e Bertrand. Se lhes juntarmos os hipermercados, muito pouco resta para as livrarias independentes. Estas são constituídas por um lado por livrarias clássicas, digamos assim, que eram a referência antes desta situação (por ex. a Bucholz ou a Barata) e por um outro tipo de livrarias, que podemos designar como “alternativas”, como a Ler Devagar ou a Letra Livre.
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Isto vem a propósito da inauguração recente se uma livraria, a Pó dos Livros, que fica na Av. Marquês de Tomar, nº 89, e que tem características pouco vulgares no nosso país. É uma pequena livraria que evita a última novidade light e aposta em fundos editoriais (encontrei algumas coisas curiosas) e num excelente atendimento. Tem um ambiente moderno e sofisticado, com uma decoração quase totalmente preta, e uma pequena cafetaria.
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Esperemos que tenha sucesso, a excessiva concentração económica no mundo do livro (e não só, claro) não é saudável, basta ver o caso recente da Bertrand, com as exigências absurdas que tem vindo a fazer aos editores.

Fátima

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"Fátima é um embuste, uma alucinação de miúdos impressionáveis que a Igreja aproveitou para circunscrever, à distância, o perigo vermelho que começava a emanar da velha Rússia. Tudo o resto é esperteza saloia (os três segredos), crendice de raízes pagãs e retórica reaccionária urdida pelo lado mais obscuro da hierarquia católica. Terceiro-mundista, anacrónica, parola, com as suas lojas de pechisbeque e néon, atafulhadas de Cristos em holograma e Nossas Senhoras que mudam de cor com a humidade, Fátima continua a atrair magotes de gente? É verdade. Como há magotes de gente a estupidificar-se ao domingo nos centros comerciais e a dar maiorias absolutas a Alberto João Jardim."
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[José Mário Silva, em post para a grande gala "Azinheira Spoken Word", excelente iniciativa do Irmão Lúcia]

15.10.07

Tomai lá do O'Neill

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A não perder hoje, às 23.40, na RTP2, logo a seguir aos Sopranos, Tomai lá do O'Neill, documentário de Fernando Lopes sobre Alexandre O'Neill.

12.10.07

Boa pergunta

"porque não sobrevive nenhum jornal de esquerda em Portugal e há vários de direita, quando pelo menos metade dos portugueses e dos leitores são de esquerda?"
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[Daniel Oliveira, no Arrastão]