26.5.08

O elogio do transporte público

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Aproveitando para dar os parabéns (um bocado atrasados) ao Miguel Vale de Almeida pelos 5 anos do blog, recupero aqui um excerto de um post seu, já com algum tempo, de que gostei muito e subscrevo na íntegra:
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"Ao contrário do que é portuguesmente comum, nunca senti que o carro me desse "liberdade" ou "autonomia". Sinto-me constrangido por tudo o que um carro na cidade significa: conduzir no meio de loucos, procurar estacionamento, apanhar com engarrafamentos, não conseguir cumprir horários, stressar. Com os transportes públicos (normalmente o metro, pois os autocarros não são de fiar) faço tudo mais calmamente mas, sobretudo, sinto-me mais cosmopolita: ando a pé nas ruas duma cidade a caminho da paragem ou estação, vejo as pessoas e as faunas duma cidade nos transportes, vou ouvindo pedaços de conversas, em suma, vou tomando o pulso à polis. E ainda aproveito para ler. Não é, no fundo, este o modo de fazer as coisas nas verdadeiras cosmópolis, como Paris, Londres ou Nova Iorque, onde não passa pela cabeça de ninguém andar de carro? Quando me atrevo a andar de carro na cidade, durante o dia, para os percursos normais, sinto imediatamente que estou em Caracas."

25.5.08

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"Guilhermina Gomes, directora editorial do Círculo de Leitores, numa entrevista poblicada na «Única» do passado sábado, defendia com estas palavras um programa editorial muito abrangente: «Eu não posso, nem devo, exercer um juízo de valor dizendo: este é um leitor menor, consome lixo.» Trata-se de uma daquelas frases que afirmam aquilo que negam e dão nome ao que não querem nomear. A hipótese de um livro se ter tornado objecto de uma indústria do lixo em grande escala encontra confirmação no espectáculo nauseabundo que a maior parte das livrarias - os terminais da produção - hoje oferecem. Muitos outros sectores produzem tanto ou mais lixo, mas a nenhum deles foi dado o privilégio de proclamar impunemente que trabalha para o progresso espiritual dos homens, da nação e do mundo em geral. Os livros que são em si uma coisa boa, os leitores que por o serem já estão a cumprir os desígnios culturais que lhes garantem a passagem para um estatuto de maioridade: eis o discurso que editores e agentes oficiais da promoção da leitura repetem incansavelmente e encontra eco nos «boulevards» da opinião. Dessa massa indiferenciada e acrítica salvam-se os livros dotados de uma resistência que os protege dos seus amadores e até (às vezes, sobretudo) dos seus autores."
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[António Guerreiro, no Actual (suplemento do Expresso) de ontem]
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“Hoje lê-se muito, lê-se mal e depressa. E principalmente lê-se muita coisa que não se devia ler, que não adianta um chavo seja para o que for. Mas dizem-me que tem de ser assim mesmo, que é ao fim de se ler muito e à toa que o gosto, o discernimento e o selectivo sentido crítico se formam numa pessoa. Pode ser.”
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[Alexandre O’Neill, in Uma Coisa em Forma de Assim, Assírio & Alvim, 2004]

24.5.08

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A Feira do Livro por Irmão Lúcia

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eu cá gosto do sobe e desce
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"já farta tanta verborreia a propósito da feira do livro, associações de discurso imobilista de um lado, pantagruéis forrados de dinheiro do outro, estes agora também admitidos à mesa das negociações canibalizando assim a associação que os representa, o que não vale um bom chumaço de euros enfiado nas calças, isso que trazes aí é o poder negocial da leya ou estás só contente por me veres, e vão-se sucedendo reuniões, prazos, comunicados, se deles dependesse a imprensa escrita então pobre amazónia, já estava transformada num eucaliptal que suportasse tanto press release, e o povo lisboeta a ver a banda passar, ou melhor, desafinar, lançados à sorte de uns termómetros das nossas vontades que resolveram dizer que não gostamos das barracas, nem do sobe e desce, do ar livre, do parque como ele é, pois eu cá gosto dele, de visitá-lo dias a fio só com o pretexto de procurar uns saldos ou um livro do dia que me console, de beber uma imperialucha sentado numa cadeira de plástico no topo do parque, de ver os últimos jacarandás em flor que ainda valem a pena um vislumbre, e há mais gente que gosta disto, a minha mulher, por exemplo, a sara figueiredo, o zé mário silva, seremos mais aposto, que preferem não deixar o parque entregue ao putedo e ao restaurante eleven, descubram-se as diferenças, diz que um serve melhores perdizes em cama de massa folhada do que o outro, adivinhem vocês qual, dizia, gosto da errância do parque, do ar livre, e dispenso tendas de circo e animo-promos com colunas a bombar em volume indecente, give ears a chance, e por favor não me venham com o graal do espaço fechado e suypostamente digno, sempre prefiro o cheiro a farturas do que o cheiro a alcatifas, tudo muito higienizado e lavadinho, sem planos inclinados que o povo tem medo de torcer o pezinho. já estou a imaginar, um grande pavilhão com ar condicionado, hospedeiras de portugal a massajarem os livros do dia, e tudo cheio de barracas garridas e som centralizado, as odes de píndaro ao som de celine dion, o livro do desassossego embalado pelo bryan adams, um sonho, painéis tácteis, plasmas e eu com saudades da erva e do calor, tenham paciência, de vez em quando lateja-me a veia freak-com-rasta-guizos-e-cães, gosto de lisboa em espaço público, com imperfeições, pois claro, e já agora com uma câmara municipal que não ande com os nervos em frangalhos graças a uma tesouraria arruinada, disposta a alinhar com o clima de guerra civil e dirigida por um presidente que a esta hora já deve estar arrependido de ter saltado do governo, afinal por lá fuma-se onde (não) se pode e a oposição atura-se melhor que estes pseudo-organizadores de "eventos", a feira do livro não é só um "evento", caralho, para mim ainda é mais do que isso, tem o tal de interesse público inerente, aquele que a cml quer esquecer dada a ausência dos consagrados quando seria talvez mais importante garantir que o juan rulfo, o bruce holland rogers ou o joão tordo sejam lidos por mais gente, e por falar em autores, onde andam as vozes de quem escreve? dos autores nem um pio, nem sequer desses que constituem o "interesse público", o que para mim é deveras estranho, botam faladura a propósito da palestina e de israel, da guerra colonial, da história à portuguesa, de distopias e do regime cubano, da amizade com A grande e mitificado, do livro que se escreve a si próprio e de outras falsas modéstias e quanto à feira nem uma palavra, nem um chilreio, em entrevistas adopta-se a postura agarrem-me que me vou embora se não me tratam nas palminhas mas pelos vistos há mais quem concorde com o maravilhoso mundo das alcatifas e das tendas de circo, trapézios onde se possa balançar o ego e rir dos idiotas como eu que lambem os beiços com churros e promoções. dizia o outro que quando quiserem compará-lo com outros arranjem alguém da altura dele. pelos vistos não é preciso subir muito alto."
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[Pedro Vieira, post no Irmão Lúcia]

22.5.08

“A leitura para mim é um prazer porque cria solidão, isto é, dá-me um tempo próprio, eu vivo dentro de mim próprio num tempo próprio. Há algo de litúrgico nisso. E é essa procura desse mundo que é meu que me dá esse prazer. Eu posso estar a ler um livro no meio de um café, pode estar uma barulheira tremenda, mas eu estou metido no meu mundo, estou a construir o meu próprio mundo. O que o escritor já fez também.”
[…]
“Provavelmente o problema do livro actualmente é que o mundo está tão apressado que a criação de um mundo tanto pelo escritor como pelo leitor é considerado uma perda de tempo, é considerado algo quase obsceno porque vai a contracorrente da rapidez, da velocidade, de um raciocínio um bocado utilitarista que querem dar ao próprio tempo.”
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[Torcato Sepúlveda em entrevista à Rádio Universitária do Minho]

Torcato Sepúlveda (1951-2008)

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Morreu ontem, aos 57 anos, Torcato Sepúlveda, jornalista e crítico literário.
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Aqui fica um breve retrato seu feito pelo Público:
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"Marcou a crítica literária e mudou a forma de fazer jornalismo cultural em Portugal — foi o primeiro editor da secção de Cultura do PÚBLICO, jornal de que foi um dos fundadores. Nascido em Braga, era filho de professores primários.
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Frequentou o curso de Filologia Românica na Universidade de Coimbra e, entre 1971 e 1974, viveu exilado em Bruxelas, onde foi operário. No regresso a Portugal, trabalhou no serviço de fronteiras em Vila Real de Santo António, tendo passado daí para o jornal “Expresso” como copydesk. Neste semanário começou a fazer crítica literária, assinando João Macedo — João Torcato Sepúlveda de Macedo era o seu nome completo. Fez traduções sob pseudónimos: Silva de Viseu, Buíça, D. Luís da Cunha.
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Do “Expresso” saiu para o PÚBLICO, onde editou também a secção de Sociedade antes de partir para integrar a equipa que refundou o “Semanário”. Passou pela “Capital”, por “O Independente” e era actualmente jornalista do “Diário de Notícias” (escrevia para o suplemento de sábado “NS”)."
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A ler também as reacções de Isabel Coutinho e Francisco José Viegas.
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Deixo aqui o link para um texto excelente que Torcato Sepúlveda escreveu sobre Luiz Pacheco e para uma entrevista à Rádio Universitária do Minho.

21.5.08

Feira abre no próximo Sábado

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Parece que agora é que o assunto está mesmo encerrado: a Feira do Livro abre no próximo Sábado e encerra no dia 10 de Junho.

19.5.08

Leya e a Feira do Livro: a reacção de Saramago

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Referindo-se à autorização para pavilhões diferenciados, Saramago criticou a "diferença na apresentação dos livros de qualquer editora". "Não me parece bem. Se nos pavilhões cabiam as pequenas e as grandes editoras, podiam continuar a caber", defendeu o Nobel da Literatura. Para o escritor, esta "não foi uma boa solução" porque "abre portas a uma espécie de caos". José Saramago caracterizou a Feira do Livro como uma "festa democrática", onde a existência de pavilhões diferenciados e eventualmente "imponentes", "exibe uma diferença de classes".
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[artigo do Público on-line]
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Entretanto continuamos sem saber quando começa a feira ou sequer se há realmente um acordo...

Street Fighting Man

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[Rolling Stones Street Fighting Man, in Beggars Banquet, 1968]
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Ev'rywhere I hear the sound of marching, charging feet, boy
'Cause summer's here and the time is right for fighting in the street boy
But what can a poor boy do
except to sing for a Rock'N'Roll Band
'cause in sleepy London Town
There's just no place for Street Fighting Man!
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Hey! Think the time is right for a Palace Revolution
But where I live the game to play is Compromise Solution!
Well then what can a poor boy do except to sing for a Rock'N'Roll Band
'cause in sleepy London Town
There's just no place for Street Fighting Man!!
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Hey! Said my name is called Disturbance
I'll shout and scream, I'll kill the King I'll rail at all his servants
Well then what can a poor boy do except to sing for a
Rock'N'Roll Band 'cause in sleepy London Town
There's just no place for Street Fighting Man!!

18.5.08

Maio de 68: os slogans

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Il est interdit d'interdire
É proibido proibir
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Soyez réalistes, demandez l'impossible
Sejam realistas, exijam o impossível
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L'imagination au pouvoir
A imaginação ao poder
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Le patron a besoin de toi, tu n'as pas besoin de lui
O patrão precisa de ti, tu não precisas dele
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Le réveil sonne: première humiliation de la journée
O despertador toca: primeira humilhação do dia
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Tout pouvoir abuse. Le pouvoir absolu abuse absolutement.
Todo o poder abusa. O poder absoluto abusa absolutamente.
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Travailleur : tu as 25 ans mais ton syndicat est de l'autre siècle
Trabalhador, tens 25 anos, mas o teu sindicato é de outro século
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L'âge d'or était l'âge où l'or ne régnait pas
A idade de ouro era a idade onde o ouro não reinava.
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Nous ne voulons pas d'un monde où la certitude de ne pas mourir de faim s'échange contre le risque de mourir d'ennui
Não queremos um mundo onde a certeza de não se morrer de fome se troca contra o risco de morrer de aborrecimento
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Sous les pavés, la plage
Sob as calçadas, a praia
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L'alcohol tue. Prenez du LSD
O álcool mata. Tomem LSD
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La poésie est dans la rue
A poesia está na rua
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Un homme n'est pas stupide ou intelligent: il est libre ou il n'est pas
Um homem não é estúpido ou inteligente. É livre ou não é
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Je suis marxiste, tendance Groucho
Sou marxista, tendência Groucho
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A bas le réalisme socialiste. Vive le surréalisme!
Abaixo o realismo socialista. Viva o surrealismo!
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Cours camarade, le vieux monde est derrière toi
Corre camarada, o velho mundo está atrás de ti
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On ne revendiquera rien.
On ne demandera rien.
On prendra. On occupera.
Não reivindicaremos nada.
Não pediremos nada.
Conquistaremos. Ocuparemos.
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Plus je fais l'amour, plus j'ai envie de faire la Révolution. Plus je fais la Révolution, plus j'envie de faire l'amour.
Quanto mais faço amor, mais vontade tenho de fazer a Revolução. Quanto mais faço a Revolução, mais vontade tenho de fazer amor.
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Le droit de vivre ne se mendie pas, il se prend
O direito de viver não se mendiga, toma-se
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Professeurs, vous êtes aussi vieux que votre culture
Professores, vocês são tão velhos quanto a vossa cultura
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Prenons la révolution au sérieux, mais ne nous prenons pas au sérieux
Tomemos a revolução a sério, mas não nos levemos a sério
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Quand l'assemblée nationale devient un théâtre bourgeois tous les théâtres bourgeois doivent devenir des assemblées nationales
Quando a assembleia nacional se transforma num teatro burguês, todos os teatros burgueses devem transformar-se em assembleias nacionais
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Ouvrons les portes des asiles, des prisons, et autres facultés
Abramos as portas dos asilos, das prisões, e outras faculdades
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L'art est mort, libérons notre vie quotidienne
A arte morreu, libertemos a nossa vida quotidiana
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L'art est mort. Ne consommez pas son cadavre
A arte morreu. Não consumam o seu cadáver
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L'humanité ne sera vraiment heureuse que lorsque le dernier des capitalistes aura été pendu avec les tripes du dernier des bureaucrates
A Humanidade só será feliz no dia em que o último capitalista for pendurado com as tripas do último burocrata
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Les réserves imposées au plaisir excite le plaisir de vivre sans réserve.
As reservas impostas ao prazer excitam o prazer de viver sem reserva.
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Ne nous attardons pas au spectacle de la contestation, mais passons à la contestation du spectacle.
Não nos prendamos ao espectáculo da contestação, mas passemos à contestação do espectáculo.
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Ne travaillez jamais
Não trabalharemos mais
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Mais slogans aqui e aqui.

16.5.08

Leya ganhou

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Assunto encerrado: a Leya foi autorizada a ter a sua barraca de rico, não se misturando com as restantes editoras. A Feira do Livro pode assim realizar-se.

Leya e a Feira do Livro: as reacções dos escritores

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"Se a Leya não for à Feira do Livro de Lisboa vai ter muitos problemas comigo."
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"Há uma série de movimentações entre os autores. As pessoas ficaram inquietas com o que se está a passar."
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"Não sei se a Leya foi feita por amor aos livros ou por dinheiro, mas as duas coisas não são muito compatíveis. E custa-me imenso que o livro se transforme numa mercadoria."
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[António Lobo Antunes em declarações ao Público de hoje]
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"Recuso-me a ser encarado como uma marca e que os meus livros sejam vistos como sabonetes."
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[Mário de Carvalho em declarações ao mesmo jornal]

Maio de 68 na Pó dos Livros

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15.5.08

Entre o Leya e a Feira a Câmara opta pelo Leya

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"Ao PortugalDiário, a vereadora do pelouro da Cultura da Câmara de Lisboa, Rosália Vargas, explica que se as editoras da Leya não estiverem presentes na Feira do Livro, devido à «intransigência» da APEL, a autarquia «pode considerar que não estão reunidas as condições de garante de serviço público» e decidir não atribuir o subsídio. "
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[excerto de artigo no Portugal Diário]
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Ainda alguém duvidava de qual o perigo de tão grande concentração económica no mercado do livro? Está à vista: O Leya comporta-se como o dono da feira do livro, espezinhando tudo e todos para ter a sua barraca gigante, separado dos restantes editores. E o pior é que a Câmara cede, o que nunca poderia acontecer.
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Entretanto algumas editoras estão a reagir e bem: a Tinta-da-China considera "inaceitável que a CML depois de ter dado a organização da Feira do Livro à APEL, conceda directamente 720 m2 de espaço a um grupo empresarial que nem sequer se inscreveu para participar como todos os outros. Se tal acontecer, a CML estará a avalizar a prepotência, a arrogância e a falta de respeito por todos os editores. Consideramos mesmo que de todos os interlocutores neste processo é quem fica pior no retrato, abrindo um precedente gravíssimo."
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A Gradiva, depois deste comunicado, abandonou a UEP com Guilherme Valente a afirmar que "a situação e o comportamento do Grupo Leya na UEP (União dos Editores Portugueses), perverte, em meu entender, o seu carácter e inviabiliza a sua acção de Associação de Editores. Sendo assim, não resta a mim próprio nem à Gradiva outra alternativa de inteligência, dignidade e coerência que não seja a desvinculação da UEP»