14.5.08

A feira do livro por Jorge Silva Melo

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"Eu só gosto do Parque Eduardo VII em Maio, nunca lá vou noutra altura. Mas gosto de subir e de descer, sobretudo ao sábado e ao domingo, com gente que nunca vi nas livrarias, gente que mexe em livros, dicionários tantas vezes, livros do dia, livros mais baratos, gente, tanta gente, fico sempre com a sensação que há pessoas, que os livros servem as pessoas, que os editores são gente honesta que quer um mundo melhor, gosto de coleccionar os catálogos, de marcar com cruzinha os livros a comprar, de nem sequer comprar esses mas outros que me aparecem, esquecidos, de encontrar livros insuspeitos que nem sabia estarem editados, gosto de pedir autógrafos, há muitos anos foi lá que falei com a Maria Judite de Carvalho e lhe disse quanto a admirava, gosto de ver escritores sentados, gosto dos altifalantes a anunciarem escritores e descontos, gosto das farturas que ainda o ano passado engorduraram um livro de poesia acabadinho de comprar e até carote, não me tirem a rua dos livros ao sol, não me fechem a Feira do Livro, deixem-me, uma vez por ano, passear pelo Parque Eduardo VII de todos os jacarandás, ao cair da noite, pela fresca, deixem-me encontrar os amigos, são cada vez menos!, deixem-me queixar-me de já não ter dinheiro, nem espaço em casa para mais papelada, deixem-me voltar a casa com quilos de sacos, deixem-me a minha Feira do Livro onde ela é, é onde todos os anos eu respiro um mundo que talvez fosse maior, com mais gente, mais livros, histórias, poesias, gente a subir e a descer aos sábados à tarde, com tanto calor. E um dia gostava de filmar, porque não filmar a descoberta do amor entre um rapaz de uma barraquinha de livros em segunda mão e uma jovem escritora neurasténica, rapariga loira com as suas singularidades. Ou vice-versa, em Maio, no Parque Eduardo VII."
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[texto de Jorge Silva Melo integrado num livrinho distribuido por algumas editoras na feira de 2004]
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Mais textos em defesa da feira no parque de:

O fim da feira?

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Ontem escrevi aqui que temia pelos tempos que se avizinham. Pois bem, esses tempos aí estão: imagens como a que pus aqui em cima estão em vias de extinção. A Câmara de Lisboa suspendeu a feira do livro, ao que tudo indica cedendo às inaceitáveis pressões que têm vindo a ser feitas pelo grupo Leya. Recorde-se que este grupo desistiu já da sua participação na feira do Porto porque "não temos interesse nela, nem o certame tem um volume de negócios que o justifique", afirmação de Isaías Gomes Teixeira.

13.5.08

É possível escapar ao Leya?

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O grupo Leya comprou as editoras da Explorer ficando agora com:
  • Dom Quixote
  • Caminho
  • Asa
  • Texto
  • Gailivro
  • Nova Gaia
  • Oficina do Livro
  • Casa das Letras
  • Estrela Polar
  • Teorema
  • Sebenta

Considero esta situação de extrema gravidade, não só pelos naturais efeitos nefastos de tão grande concentração, mas sobretudo pela postura que este grupo tem vindo a assumir: desprezo total pelo livro enquanto cultura. Temo pelos tempos que se avizinham.

12.5.08

Ler (2)

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Encontrei este vídeo no blog da Isabel Coutinho, que funciona como uma espécie de apresentação da revista Ler:
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Ler

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Lida a nova Ler, gostava de referir algumas impressões:
  • O grafismo é cuidado, com boas fotografias, mas o aspecto geral é talvez demasiado limpinho e brilhante.
  • Gostei mesmo muito da dimensão das entrevistas: 12 páginas para Lobo Antunes!
  • De um modo geral os artigos têm interesse, com destaque para a escolha dos “50 autores mais influentes do século XX” (embora acompanhada de uns textinhos um pouco light).
  • A escolha de colunistas não foi lá muito original e, pior do que isso, alguns deles eram dispensáveis (Inês Pedrosa, Jorge Reis-Sá ou os Booktailors, que aparentemente estão ali apenas a fazer publicidade para o seu negócio…). Alguns no entanto são bons como Pedro Mexia, Eduardo Pitta ou Abel Barros Baptista.
  • Não gostei nada da secção “Mais livros saídos”, que já tinha havido em moldes semelhantes na antiga Ler. Não percebo porquê pôr ali um monte de livros, citando uma frase de cada um. Até o professor consegue fazer melhor aos domingos…
  • Embora as recensões não me tenham propriamente desagradado esperava que, pelo menos algumas, fossem um pouco maiores. Já que os suplementos culturais dos jornais encolheram os textos dos seus críticos, era de supor que uma revista destas lhes concedesse mais espaço.
  • E havia mesmo necessidade de ter uma secção sobre livros de economia?

No fundo penso que, limando algumas arestas, se trata de uma boa revista, simplesmente o seu conceito não é bem o que eu esperava. Fiquei com a ideia que pretende agradar a vários públicos e não apenas aos habituais leitores deste meio, daí ser menos literária, algo que é assumido por Francisco José Viegas.
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No entanto, sendo a única revista de livros regular no nosso país (a Os Meus Livros não conta) é de comprar, apesar de tudo.

10.5.08

Como quem vende detergentes

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"Nas grandes cadeias de livrarias, a visibilidade tem um preço e ajuda a chegar ao top: montras, mesas, topos, expositores, destaques"
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"actualmente - copiando estratégias das grandes superfícies e da publicidade de rua -, estas cadeias de livrarias têm para vender aos editores montras inteiras e meias-montras, a cobertura dos alarmes na entrada, as mesas onde se expõem livros, os topos das estantes que mostram as capas, colocação de expositores, destaques, campanhas de Natal, de Verão, do Dia dos Namorados, da Criança, do Pai ou da Mãe."
[...]
"Os hipermercados foram disruptivos, criando uma lógica que depois foi sendo copiada", diz Teresa Figueiredo [directora de marketing da Bertrand], ela própria vinda do "grande comércio, dos detergentes". Nas Bertrand, "as montras são todas pagas, com preços diferentes consoante as alturas do ano, e também se vendem meias montras", explica. "Inspiramo-nos em quem vende publicidade exterior, nos mupis. Um editor diz-nos: "De dia 7 a dia 15 quero ter uma rede de montras." E em todas as Bertrand com montra vão aparecer os livros dele."
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[excertos de artigo de Alexandra Lucas Coelho, no Público de 5/5/2008, que pode ser lido aqui]
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Obviamente nada disto é novidade mas é desanimador. Estamos claramente a precisar de mais Letras Livres e Leres Devagar, Fendas e &etcs, para fugir a estas terríveis lógicas.

9.5.08

Duluoz, o Vaidoso

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Não sei porquê mas, sendo Jack Kerouac um autor bastante conhecido e admirado, os seus livros têm demorado a chegar a Portugal, havendo ainda muito por traduzir.
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Duluoz, o Vaidoso, publicado pela primeira vez em 1968, chegou agora até nós pela Relógio D'Água. Escrito pouco antes da morte do autor, trata-se de um livro profundamente autobiográfico (tal como os restantes) retratando o perído da vida de Kerouac entre 1935 e 1946: o período em que passou pela universidade de Columbia, vindo de uma pequena cidade de província; as viagens a bordo de um navio de carga durante a II Guerra Mundial; as primeiras experiências literárias; os amigos (Allen Ginsberg e William Burroughs, entre outros); e a formação da beat generation.
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Não se pense no entanto que estamos perante um estilo de escrita semelhante ao de Pela Estrada Fora ou Os Subterrâneos. Aqui temos um Kerouac atípico, mais calmo e melancólico, mas muito bom também.

8.5.08

Os novos editores (3)

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"Não vamos à Feira do Porto porque não temos interesse nela, nem o certame tem um volume de negócios que o justifique, quanto à de Lisboa depende de como irá ser organizada"
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[Isaías Gomes Teixeira, administrador-delegado do Grupo Leya]

7.5.08

"G. diz «Agora que temos trinta anos, as miúdas de vinte não nos ligam nenhuma.»

Mas quando eu tinha vinte anos as raparigas de vinte também não me ligavam nenhuma.

É caso para dizer que estou a envelhecer bem."
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[Pedro Mexia, in Prova de Vida, Tinta da China, 2007]

6.5.08

Maio de 68: cronologia

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[Júlio Pomar, Mai 68 (CRS-SS) I]
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No site da Fundação Mário Soares podemos ver uma cronologia dos principais acontecimentos do Maio de 68.

4.5.08

Disco do ano (?)

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Valeu a pena esperar 7 anos por um novo disco de Camané. Sempre de Mim é magnífico, absolutamente imperdível.

3.5.08

Camané "Sei de um Rio"

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[do álbum Sempre de Mim, 2008]

2.5.08

Tomai lá mais do O´Neill

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A Assírio & Alvim lança na próxima semana mais um título de Alexandre O'Neill, Já Cá Não Está Quem Falou, que reune prosas dispersas do autor.

1.5.08

1º de Maio

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[1º de Maio de 1974]