23.4.08

Avenida Infante Santo

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A Av. Infante Santo em Lisboa é um excelente exemplo da evolução do urbanismo em Lisboa durante o séc. XX.
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Tendo sido rasgada da Estrela à Pampulha em várias fases, ao longo da primeira metade do século XX, os edifícios que foram sendo construídos acabaram por permitir uma divisão simbólica da avenida em três zonas perfeitamente distintas e representativas.
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Numa primeira fase (partindo da Estrela) temos a arquitectura que se praticava até aos anos 40, inclusive: edifícios discretos, com poucos pisos, em quarteirões de estrutura tradicional. Aqui, e um pouco por toda a cidade, independentemente da apreciação estética que possamos fazer, a verdade é que estas zonas funcionam: têm comércio, cafés, movimento, tudo o que uma cidade deve ter. São geralmente as melhores zonas para viver, com melhor qualidade de vida.
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A segunda fase arquitectónica da Infante Santo corresponde à reacção moderna e internacionalista contra a arquitectura anterior, considerada retrógrada.
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É desta fase este excelente conjunto arquitectónico, vencedor do prémio Valmor em 1954, da autoria dos arquitectos José Pessoa, Hernâni Guimarães Gandra e João Abel Carneiro de Moura Manta. O conjunto que fica em frente também é interessante.
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Com os edifícios perpendiculares à via, uma estrutura assente em pilotis, e uma inteligente solução para o acentuado desnível do terreno, resolve-se muito bem a relação entre a avenida e o bairro da Lapa. No entanto, como se verifica em todas as zonas onde está presente, trata-se de uma arquitectura (e urbanismo) que acaba por tornar o espaço público pouco acolhedor, precisamente o contrário do que pretendia.
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A última parte da avenida, com edifícios construídos nas últimas décadas, representa bem a última fase de arquitectura e urbanismo na cidade de Lisboa: o caos completo. Sem qualquer planeamento, cada promotor compra um terreno e constrói ao seu gosto (normalmente péssimo) e com a maior volumetria que conseguir.
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A Avenida Infante Santo torna-se assim uma avenida feia e vulgar, que não se distingue de uma qualquer rua do Cacém ou da Reboleira, mesmo que alguns dos seus edifícios pretendam ser “de luxo”, como é o caso do tristemente famoso empreendimento "Infante à Lapa".
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5 comentários:

Anónimo disse...

Este caso de polícia continua por resolver na cml, dado que o edifício continua em cima de terrenos municipais e confina a Norte com terreno municipal do domínio privado. Ou seja mesmo a escada impingida para tornar aquele percurso público nunca deveria ou poderia ter sido construida... A CML prepara-se para tentar legalizar esta aberracção. Vejam quem lá mora e vão perceber como o edificio ainda não foi demolido. Resta-nos a esperança da Justiça Divina.

Anónimo disse...

A escritura do terreno entre a CML e a CRGE (antepassada da actual EDP) 1957 para gasómetro, prevê a reversão em caso de deixar de cumprir a missão pública para o qual foi transmitido. O mesmo se passa com os terrenos da Boavista onde agora querem construir a aberracção do PP da Boavista, mascarando de sede da EDP. E os da Matinha cujo projecto vergonhoso e criminoso é do filho do vice-presidente da CML. Os terrenos de aterro têm o bónus de estarem altamente contaminados, excelente negocio para os primos do Bes e Champalimaud, uma verdadeira fábrica de destruição de pessoas e canalização do seu dinheiro para os seus cofres, mais limpo e mais eficaz do que as câmaras de gás dos nazis. Aqui as pessoas até vão pagar para ficarem no mínimo cancerígenas ou asmáticas, etc. Muito mais eficaz e com a assinatura do sr. Presidente, pois o seu colega vice o arq. salgado costuma sair das votações nestes momentos, para não haver "conflitos de interesse". O PDM fraudulento também será dentro de anos um verdadeiro cancro...mas as lx cidadanias, só se preocupam com o lixo, os quiosques, as esplanadas e minuências deste tipo, onde está a verdadeira defesa de Lisboa e do país?

Anónimo disse...

Atenção que na calçada das Necessidades está feito mais um crime e preparam-se para fazer outro com terrenos também da CML. Antigamente havia um site sos infante santo, é pena não estar activo.

Anónimo disse...

Atenção que na calçada das Necessidades está feito mais um crime e preparam-se para fazer outro com terrenos também da CML. Antigamente havia um site sos infante santo, é pena não estar activo.

João Costa disse...

Boa tarde ! tenho 68 anos de idade e lembro-me que nem sempre a Av. Inf. Santo ligou directamente a Av. 24 de Julho à Estrela. A Av. Inf. Santo era interrompida no cruzamento com a Rua de Sant`ana à Lapa. Alguém tem alguma foto que demonstre esse pormenor ou em que ano a Av. ficou totalmente aberta ?

Grato pela vossa atenção
João Costa