12.4.08

"Toda a gente me crê um homem misterioso. Pois eu não vivo, não tenho amantes... desapareço... ninguém sabe de mim... Engano! Engano! A minha vida é pelo contrário uma vida sem segredo. Ou melhor: o seu segredo consiste justamente em não o ter.
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E a minha vida, livre de estranhezas, é no entanto uma vida bizarra - mas duma bizarria às avessas. Com efeito, a sua singularidade encerra-se, não em conter elementos que não se encontram nas vidas normais - mas sim em não conter nenhum dos elementos comuns a todas as vidas. Eis pelo que nunca me sucedeu coisa alguma. Nem mesmo o que sucede a toda a gente."
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[Mário de Sá-Carneiro, in A Confissão de Lúcio, Assírio & Alvim, 2005]

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